Rio - Os políticos acusados de ligação com grupos paramilitares serão os próximos convocados para depor na CPI das Milícias na Assembléia Legislativa (Alerj). Segundo o presidente da comissão, deputado estadual Marcelo Freixo, o depoimento de ontem do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, fechou um ciclo de pronunciamentos de autoridades. Agora é a vez de ouvir os investigados citados pelos delegados de unidades da Taquara e Campo Grande, além da Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco).
“O depoimento do secretário foi importante por ele concluir que a maior ameaça ao governo hoje é a ação das milícias. É a morte do paradigma de que ação desses grupos é um mal menor”, afirmou Freixo.
A prioridade será ouvir suspeitos de integrar milícias, citados na semana passada pelo delegado Pedro Paulo Pontes Pinho, da 32ª DP (Taquara). No depoimento, ele acusou seis políticos ligados a grupos paramilitares de Jacarepaguá. São eles: os vereadores Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho (DEM) e Luiz André Ferreira da Silva, o Deco (PR); os candidatos Cristiano Girão (PMN) e Luiz Monteiro Doen (PTC); e os ex-candidatos Epaminondas de Queiroz Medeiros Junior (DEM) e Marco Aurélio França Moreira, que já foi do PSC.
Também há intenção de convocar o vereador Jerominho (PMDB) e seu irmão, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM), presos em Bangu 8 acusados de comandar a ‘Liga da Justiça’. Haveria duas opções para os membros da comissão: levar os presos escoltados até a assembléia ou visitá-los na penitenciária.
O deputado Marcelo Freixo também atacou o prefeito Cesar Maia, que reclamou na Internet que a saída da milícia nas comunidades de Campo Grande não veio acompanhada de ocupação policial: “O prefeito não tem crédito para falar sobre milícias. Afinal de contas, há milicianos em seu partido”.