Rio - Denúncias de que um coronel da PM estaria à frente de uma milícia e de que policiais ligados a grupos paramilitares teriam obtido informação privilegiada na corregedoria — órgão que deveria investigá-los — estão entre as informações que a CPI das Milícias vai encaminhar para a Secretaria de Segurança Pública. Os dados constam da pesquisa do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, apresentada ontem pelo sociólogo Ignácio Cano, durante sessão da Comissão na Alerj.
“Uma moradora de uma comunidade dominada por milícia perguntou a um coronel quem se responsabilizava pelas atitudes dos milicianos, caso fizessem algo errado e ela precisasse reclamar. O coronel disse que era com ele, que era comandante do 27º BPM (Santa Cruz), e deu seu celular a ela”, contou Cano. Ele também relatou o caso da moradora entrevistada para a pesquisa que fez denúncia na corregedoria contra a milícia e, quando voltou à comunidade, os paramilitares já sabiam que ela havia se queixado.
Dados do Disque-Denúncia chamaram a atenção dos pesquisadores. Das 3.469 ligações recebidas sobre paramilitares de março de 2006 a abril deste ano, 400 falavam da ligação de milicianos com traficantes .
A 1ª Vara Criminal de Campo Grande decretou ontem a prisão de oito integrantes da ‘Liga da Justiça’, acusado de tentativa de dois assassinatos. Na lista estão Luciano Guinâncio Guimarães (filho do vereador Jerominho) e três PMs. O mandado de prisão de outros oito suspeitos de fazer parte do grupo ainda está sendo avaliado.