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30/09/2008 18:52:00

Depoimentos à CPI confirmam domínio das milícias de Jacarepaguá

Rio - Os depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio, que apura a atuação das milícias no Estado, reforçaram as denúncias de forte domínio em Jacarepaguá. A conclusão foi do presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSol), após a reunião desta terça-feira, com a presença do vereador Geiso Pereira Turques (PSC), de São Gonçalo, do presidente da Cooperativa de Vans Rio das Pedras, Getúlio Rodrigues Gama, e de Marco Aurélio França Moreira, o Marcão, da comunidade Novo Rio, também em Jacarepaguá.

"Os depoimentos foram contundentes e reafirmam a existência de milícia na região. Ficou clara, durante as falas dos convocados, a articulação de um grupo de Rio das Pedras, por exemplo, que se articulou para eleger o vereador Nadinho. Os membros desse grupo também são sócios, em divesos negócios, o que amplia as afinidades políticas e os interesses econômicos", avaliou o parlamentar.

A declaração de Freixo é referente ao depoimento de Gama, que se recusou a indicar seu endereço atual, alegando estar ameaçado de morte pelo vereador Nadinho. "Morei na comunidade há aproximadamente seis anos, mas hoje fui obrigado a me afastar por causa das ameaças. No passado eu apoiei a campanha dele, doei camisas e fiz carreata mas, depois de eleito, ele não fez nada pela comunidade. Foi aí que eu e também outros colegas, como Dalcemir e Dalmir (citados por outros depoentes como participantes da milícia), que o apoiavam, deixamos de apoiar", contou Gama, que afirmou que na comunidade não existe milícia.

"Eu fui eleito presidente da cooperativa pelos cooperados. Temos 339 veículos que  transportam cerca de 250 pessoas por dia, mas o dinheiro não fica com a cooperativa. Nós só temos a taxa recolhida dos cooperados para manter os serviços. Fui a única testemunha de acusação que depôs contra Nadinho no inquérito que pura a morte do inspetor Félix dos Santos Tostes", completou Gama.

Segundo o presidente da cooperativa, seu depoimento contra Nadinho se deu por uma sucessão de acontecimentos. "Antes da morte de Félix, Nadinho trouxe pessoas de Campo Grande para conhecer a cooperativa. Ele me pediu que mostrasse o serviço para que eles aprendessem o funcionamento administrativo e funcional, mas, depois, entendi que eles foram, na verdade, conhecer uma cooperativa que seria deles, como parte do pagamento pela morte de Félix, encomendada por Nadinho, a essas pessoas de Campo Grande", explicou.

Gama relatou ainda que as pessoas da comunidade teriam visto membros da milícia de Campo Grande conversando com Nadinho sobre uma possível divisão de Rio das Pedras a ser cedida, em parte, à milícia de Campo Grande. Também conhecedor da comunidade de Rio das Pedras, o vereador de São Gonçalo presente à reunião afirmou que não é mais o responsável pelo clube Castelo das Pedras, sendo apenas promoter da casa de show que, segundo ele, é um centro social. Embora o Castelo tenha isenção de imposto por ser considerado sem fins lucrativos, Turques afirmou que retira 30% da bilheteria para pagar seu trabalho de promoter e cerca de R$ 3 mil para manter o centro social.

O vereador disse não conhecer a existência de milícias em Rio das Pedras e ressaltou que na maior parte do seu tempo está em São Gonçalo. "Eu só vou a Rio das Pedras quando vou ao escritório e para fazer a promoção das festas. Também participo do futebol, às segundas-feiras, mas 80% do meu tempo passo em São Gonçalo", afirmou Turques.

Ele disse ter um apartamento no valor de R$ 400 mil e uma lancha de 32 pés, que não  declarou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Freixo ressaltou que um depoente em reuniões anteriores citou o futebol das segundas-feiras como uma reunião de milicianos, fato negado por Turques. Outra negação foi feita por Marcão, sobre a existência de milícia na comunidade Novo Rio, também em Jacarepaguá. Questionado por Freixo, ele afirmou que na Gardênia Azul existe uma central de "gatonet". "Não sei se existe milícia lá, mas na minha região não tem", esquivou-se.

Marcão assumiu ainda existir uma taxa de R$ 7 para os moradores, que não é obrigatória. Ele chamou o candidato a vereador de Gardênia Azul, Cristiano Girão (PMN), de "xerife". "Ele é dono de tudo e, como não compactuo com suas ações, já me ameaça de morte", contou.

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