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08/08/2008 01:48:00

Depósito de água era um cemitério

Dois corpos e vários ossos foram achados em reservatório da Cedae que abastece 5 mil pessoas em Jacarepaguá

Maria Mazzei


Foto Ag. O Dia

Rio - Dois corpos, um deles em decomposição, foram encontrados ontem no Reservatório da Reunião, da Cedae, localizado no alto da comunidade da Caixa DÁgua, no Tanque, em Jacarepaguá. O depósito, de 10 milhões de litros de água e que abastece 5 mil moradores da região, já havia sido utilizado como cemitério clandestino de traficantes. A área hoje é dominada por milicianos. A Cedae informou que a água não foi contaminada devido ao alto nível de cloro utilizado pela empresa, mas o reservatório foi esvaziado.

Depois da descoberta dos corpos, mergulhadores do Corpo de Bombeiros fizeram buscas no tanque encontraram ossos. Só após perícia, será possível saber se são de pessoas ou de animais. Moradores da região contaram que não é raro ver corpos abandonados nas proximidades. Semana que vem, a delegada Marta Cavallieri, da 41ª DP (Tanque), vai se reunir com representantes da Cedae para discutir melhorias na segurança do local.

Segundo a Cedae, assim que o depósito estiver completamente vazio, passará por limpeza, que deverá ser realizada hoje à tarde. A previsão é que no começo da noite volte a funcionar normalmente. Para que o abastecimento não ficasse prejudicado, foi feita uma manobra entre as tubulações.

ROUBO E MORTE

Um dos corpos encontrados foi jogado no reservatório quarta-feira à noite. O pintor de letreiros Sérgio Lima, 22 anos, foi assassinato com um tiro na cabeça por Antônio Carlos da Silva Júnior, 20 anos. Antônio confessou na 32ª DP (Taquara) que roubou a moto de Sérgio e o matou para evitar problemas com a milícia, que proíbe assaltos na região.

A crueldade do crime surpreendeu aos próprios policiais. Em depoimento, ele disse que, dias antes, trocou uma moto velha por um revólver calibre 32 e ainda recebeu R$ 1 mil de troco. Passou a monitorar a rotina de Sérgio e quando o pintor saía de uma LAN house, na Estrada da Covanca, por volta das 22h, pediu uma carona, com intenção de roubar a moto.

AMIGO DA VÍTIMA CHAMOU A PM

Sérgio era mineiro e morava há quatro meses na casa do tio, para quem trabalhava. O amigo e vizinho, Antônio Luiz Rodrigues, 21 anos, viu quando o rapaz saiu da LAN house acompanhado de um outro homem. Na manhã seguinte, foi à casa de Sérgio, já que os dois costumavam ir juntos para o trabalho, mas não encontrou o amigo. Acompanhado de um primo de Sérgio, os dois foram à casa de Antônio e encontraram a moto estacionada no quintal.

Policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) foram acionados e Antônio, que já tinha passagem na polícia por agressão, acabou confessando o crime. No chão do reservatório, havia um rastro de sangue e o cordão de Sérgio. Antônio foi indiciado por latrocínio.
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