Rio - A desembargadora Maria Henriqueta Lobo, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, negou o pedido de transferência do presídio Ary Franco, em Água Santa, para Bangu 8 — prisão especial para quem tem nível superior — feito pela defesa do ex-PM Luciano Guinâncio Guimarães. Na unidade especial, estão presos o vereador Jeronimo Guimarães Filho e o deputado estadual Natalino José Guimarães, respectivamente pai e tio de Luciano, apontados como chefes da milícia ‘Liga da Justiça’.
Na decisão, a desembargadora alegou que o diploma de bacharel com licenciatura plena em Psicanálise Clínica com ênfase em Psicologia, emitido pelo Centro Superior de Ensino, não é reconhecido pelo Ministério da Educação. “Não é uma instituição credenciada pelo Ministério da Educação. Não havendo, portanto, qualquer curso ministrado pelo referido centro que esteja autorizado a funcionar”, afirmou Maria Henriqueta no despacho que consta no processo que Luciano responde por formação de quadrilha armada com Natalino, Jerominho, Fábio Pereira Oliveira, o Fábio Gordo — que também recebeu diploma do centro — e outros sete acusados.
Em levantamento feito por O DIA, ficou constatado que dois telefones cadastrados na Rua Barcelos Domingos 174, em Campo Grande — endereço do Centro Superior de Ensino que consta no diploma de Luciano—, estão em nome de uma loja de autopeças.
AUTENCIDADE EM XEQUE
A autenticidade do diploma foi posta em xeque desde que ele foi apresentado à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), em 19 de setembro, conforme O DIA noticiou com exclusividade. Na ocasião, Luciano foi preso em Minas Gerais, por agentes da 35º DP (Campo Grande).
O ex-PM chegou a ser levado para Bangu 8, passou a noite, mas foi transferido para o presídio Ary Franco, em Água Santa. Segundo a polícia, em seis meses de investigação, 42 milicianos foram presos e cinco estão foragidos. Houve apreensão de 38 armas e 18 carros.
Luciano foi preso em Barbacena por agentes da delegacia de Campo Grande, quando estava foragido. Ele estava escondido em uma fazenda que seria de um vereador da cidade mineira. Segundo a polícia, Luciano é citado em mais de 40 inquéritos sobre homicídios, extorsão e formação de quadrilha.
Ele responde junto com a irmã, a vereadora Carmem Guimarães, a Carminha (PTdoB), e mais 23 pessoas por tentativa de homicídio, uso de violência para coagir eleitores a votar em candidatos da milícia, tortura e homicídio. A operação ‘Voto Livre’ foi desencadeada pela Polícia Federal, em agosto.