Disfarce de PM para intimidar moradores
Dois presos sob suspeita de integrar milícia em Quintino fingiam ser policiais
Rio - Investigações da Polícia Civil indicam que os dois presos, na noite de sábado, sob suspeita de integrar milícia em Quintino se passavam por PMs para intimidar moradores do bairro. Leonardo Paiva da Costa, 28 anos, e Cosme Luiz Dias Machado, 27, foram detidos, na subida do Morro do Saçu, com fichário contendo nomes de moradores e recibos preenchidos no valor de R$ 15. Outros acusados de fazer parte do grupo paramilitar que atua na região já teriam sido identificados.
“Leonardo e Cosme se recusaram a prestar depoimento, alegando que só falarão na Justiça. Há indícios fortes, entretanto, que eles integrariam a milícia”, disse João Luiz Martins, chefe do Setor de Investigação da 28ª DP (Campinho), onde o caso foi registrado como extorsão.
Além do fichário e dos recibos, a dupla foi flagrada por policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar com Palio roubado no Méier, pistola 380, revólver 38, munição, algema, três celulares e R$ 85.
Ontem, moradores contaram que os milicianos voltaram a cobrar, de porta em porta, o pagamento de taxas em troca de ‘segurança e a ameaçar quem se recusa a dar o dinheiro exigido. Conforme O DIA revelou em 23 de abril, a milícia que age em Quintino controlou até a tradicional Festa de São Jorge do bairro, cobrando entre R$ 20 e R$ 50 de barraqueiros instalados no entorno da Igreja Matriz de São Jorge.
“Depois que O DIA denunciou que até o funcionamento das mais de 100 barracas da festa foi controlado pela milícia, a maior parte dos paramilitares saiu do bairro. Agora, porém, eles voltaram a circular pelas ruas, ostentando armas, fazendo cobranças e ameaças”, lamentou um morador da Rua Urupema.
Recibo obtido por O DIA mostra que moradores de várias ruas têm que pagar ‘mensalidades’ entre R$ 15 e R$ 20. Devido ao prejuízo causado pelas taxas, muitos estabelecimentos comerciais têm fechado as portas em Quintino.
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