Rio - O principal doador da campanha do deputado Natalino José Guimarães, preso sob acusação de envolvimento com a milícia ‘Liga da Justiça’, tem a ficha suja. Levantamento feito por O DIA na prestação de contas do deputado ao Tribunal Superior Eleitoral em 2006 consta que dos R$ 60.250 recebidos, R$ 36 mil foram doados por Alexandre de Souza Ferreira. Na folha de antecedentes criminais do doador consta um flagrante de porte ilegal de armas, em Minas Gerais, e seqüestro e homicídio registrados na 33ª DP (Realengo).
Outro doador da campanha de Natalino — R$ 3 mil, de acordo com o TSE —, Alexandre Bezerra de Souza também tem anotações criminais, como rixa, ameaça, calúnia e difamação. “Esses dois casos podem reforçar a tese de quebra de decoro”, afirma o corregedor da Casa, Luiz Paulo Corrêa Rocha. Segundo ele, entretanto, é necessário que algum deputado protocole o pedido de abertura do processo a partir de terça-feira, quando termina o recesso parlamentar.
LOTAÇÕES NO GABINETE
Além das doações, Alexandre de Souza Ferreira também foi lotado no gabinete de Natalino. Nomeado em 2 de março de 2007, conforme foi publicado três dias depois no Diário Oficial da Casa, ele acabou exonerado em julho do ano passado. Na ocasião, assumiu Verônica Cristina de Souza Ferreira.
Já Alexandre Bezerra dos Santos foi nomeado em 16 de fevereiro do ano passado e continua no gabinete. Os doadores da campanha não foram encontrados para falar sobre o assunto. Segundo Luiz Paulo Corrêa da Rocha, as nomeações não são ilegais. “Não há crime nenhum. Isso só mostra uma grande ligação do deputado com as pessoas”, explicou.
Pelo gabinete de Natalino também passaram outros contratados com problemas com a polícia. Um exemplo, é o inspetor da Polícia Civil Raphael Moreira Dias, que responde na Justiça pelo assassinato do agente Félix dos Tostes, em fevereiro de 2007. Na ação que resultou na prisão de Natalino, há pouco mais de uma semana com um arsenal, foram presos ainda o assessor parlamentar Júlio Cesar Pereira da Costa e Fábio Pereira de Oliveira, o Fábio Gordo, foragido da Justiça, que também trabalhou no gabinete do deputado em 2007.
Atentado atribuído à ‘Liga da Justiça’
Está nas mãos da Assessoria Criminal do Ministério Público do estado inquérito 907/05 que pode resultar em denúncia contra o grupo supostamente do deputado Natalino José Guimarães e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho. O atentado contra um homem, ligado ao transporte alternativo, ocorreu na Estrada do Magarça,em Campo Grande, dia 26 de maio de 2005. Vítima e um oficial da PM já prestaram depoimento no Órgão Especial do Tribunal de Justiça como testemunhas de acusação no processo que os irmãos respondem por formação de quadrilha. Um deles revelou ter visto Jerominho dentro de uma pick-up na hora do crime.
Na ocasião, o vereador alegou que estava apenas conversando com motoristas de táxi. Outro que também teria sido visto no local seria Luciano Guinâncio Guimarães, filho de Jerominho, que atualmente está foragido da Justiça. Guinâncio já foi expulso da PM por envolvimento com a milícia. Apontados como chefes da Liga da Justiça, Natalino e Jerominho devem ser julgados no Órgão Especial até o início de setembro.