Rio - Os cariocas escolheram a orla da cidade para manifestações de protesto ou conscientização, ontem. Do Aterro do Flamengo ao Leblon, houve protesto contra a violência e a libertação do deputado estadual Álvaro Lins — acusado de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro —, além de atividades para preservação do meio ambiente e corrida de campanha contra o câncer de mama.
No Leblon, moradores de vários cantos da cidade se uniram pela mesma dor: a perda de parentes e amigos vítimas da violência. Às 15h, uma multidão com faixas de protesto se reuniu em frente à Rua Bartolomeu Mitre. O ato teve como protagonistas os pais do músico evangélico Willian de Souza Marins, 19 anos, morador de Bangu morto dia 18 por PMs, e Evelyn Rosenzweig, filha de Ulrich Rosenzweig, morto uma semana depois em assalto no Centro.
Manifestantes assinaram abaixo-assinado organizado pela ONG Rio de Paz chamando atenção para o alto índice de homicídios no estado. O documento será enviado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; ao ministro da Justiça, Tarso Genro; e ao governador do Rio, Sérgio Cabral Filho.
O movimento teve participação de várias ONGs. “É importante que seja aqui (Leblon) porque chama mais atenção para que a morte do meu filho não seja esquecida”, disse Jaldenir Marins, 45 anos, pai de William. “Esse não é um pedido de paz, mas de mudança. Não esperei ser vítima da violência para fazer alguma coisa. Sou militante da causa há anos. Esse movimento não pode se dispersar”, espera Evelyn.
Em Ipanema, no Posto 9, o Fórum do Rio em Movimento, que reúne várias organizações, recolheu mais de mil assinaturas em favor da prisão do delegado e deputado estadual Álvaro Lins (PMDB). Ele foi preso pela Polícia Federal dia 25, mas saiu da cadeia pouco mais de 24 horas depois. As cédulas com a pergunta “Você concorda com a decisão de 40 deputados que decidiram pela saída de Álvaro Lins da prisão”? serão encaminhadas aos 15 deputados que votaram contra a libertação do parlamentar.
O delegado Alexandre Neto, que denunciou envolvimento de Lins com a máfia dos caça-níqueis, participou do evento. “A gente espera que a Alerj não iluda ainda mais o povo do Rio”, disse Neto, que fez alusão à fábula ‘Ali Babá e os Quarenta Ladrões’. “É coincidência que sejam 40 os deputados que votaram para colocá-lo na rua”, ironizou. O ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e roteirista de ‘Tropa de Elite’, Rodrigo Pimentel, apoiou. “Crime organizado não se limita às drogas. Milícias, caça-níqueis e transporte ilegais têm ramificações nas casas legislativas e precisam de punição”.
O meio ambiente foi tema do encontro na Praia do Leblon promovido pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5. O evento teve palestras sobre educação ambiental, exposição de fotos da Amazônia, oficina de artes e distribuição de 500 mudas de Pau-Brasil. As crianças fizeram desenhos em folhas de papel reciclado, montaram bonecos com tampas de garrafas PET e aprenderam a diminuir o consumo de água em casa. No evento, a comissão recebeu 40 denúncias de crimes contra o meio ambiente.
No Aterro do Flamengo, seis mil pessoas foram à Corrida e Caminhada contra o Câncer, parte da campanha do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC). A corrida acontece desde 1999. O Rio já sediou sete, e este foi o primeiro ano em que homens puderam correr. Mesmo com o percurso de cinco quilômetros, pessoas de várias idades participaram. Os famosos Natália Guimarães, Gustavo Leão e Adriana Bombom estavam no evento.