Rio - O início do ano letivo nas escolas da rede municipal de Campos será adiado em razão das chuvas que vêm castigando a cidade desde dezembro. As aulas, que deveriam começar na primeira quinzena de fevereiro, só acontecem a partir do dia 2 de março. Hoje, equipes das secretarias estaduais de Saúde e Defesa (Sesdec) e de Governo participam de uma reunião, em Itaperuna, com prefeitos e secretários municipais de Saúde das cidades do Norte e Noroeste fluminenses. Essas são as regiões que mais têm sofrido com inundações em razão da chuva forte que atinge o estado.
De acordo com a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, 28 escolas municipais estão servindo de abrigo para as famílias atingidas pelas enchentes. As unidades também terão que passar por reformas, já que as edificações estariam muito danificadas. “As obras são necessárias para garantir a segurança dos alunos e servidores quando as aulas recomeçarem”, explicou a secretária de Educação de Campos, Maria Auxiliadora Freitas.
Atualmente já são mais de 23 mil vítimas das cheias dos Rios Muriaé e Paraíba do Sul. A maioria está nos abrigos da cidade.
Levantamento divulgado ontem pela Coordenação da Defesa Civil Estadual mostra que os rios Muriaé, Carangola, Pombas e Paraíba do Sul, que cortam as regiões Norte e Noroeste do estado, continuam muito acima do nível normal. Diversos bairros nos municípios de Natividade, Porciúncula, Itaperuna, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana continuam inundados.
Até o fim da noite de ontem, a cidade que estava em situação mais crítica era Porciúncula, que estava ilhada. As três vias de acesso ao município estavam intransitáveis por causa das águas que invadiram as pistas. Apenas veículos especiais de grande porte e com tração integral nas quatro rodas conseguem chegar à cidade por terra. O abastecimento de água tratada foi suspenso. A cidade conta com 300 desabrigados e pelo menos três mil desalojados.
Porciúncula e Cardoso sem água potável
Ainda segundo o levantamento da Coordenação da Defesa Civil Estadual, o número de desalojados está em torno de 32,5 mil. Já o de desabrigados é, aproximadamente, de 2,6 mil. Doze municípios continuam, desde a semana passada, em situação de emergência e um em estado de calamidade pública — Cardoso Moreira —, que, assim, como Porciúncula, está sem abastecimento de água tratada.
Já os municípios de Itaperuna, Muriaé, Italva, Santo Antônio de Pádua, Campos dos Goytacazes, Natividade, Porciúncula, Cambuci, Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, São Fidélis e Paraíba do Sul decretaram situação de emergência.
Também ontem, a Defesa Civil de Piraí, Sul do Estado, interditou três imóveis e pôs sob risco outros dois, em virtude de forte deslizamento de terra ocorrido na madrugada de ontem, em uma área de classe média no Centro da cidade. Ninguém se feriu e as famílias dos três imóveis interditados — 12 pessoas no total — foram alojadas em imóveis alugados pela prefeitura.