Rio - O taxista Paulo Roberto Barbosa Soares, pai do menino João Roberto, morto pela polícia em uma perseguição na Tijuca, Zona Norte da cidade, em julho deste ano, vai receber 10 salários mínimos de indenização do Estado (R$ 4.150).
O valor foi definido pela juíza Cristiana Aparecida de Souza Santos, da 4ª Vara da Fazenda Pública, e deverá ser efetuado por seis meses, chegando a R$ 4.150. À quantia se soma ainda uma valor para o tratamento psiquiátrico de Paulo e a mulher, Alessandra Soares. Serão três salários mínimos mensais para o casal, o filho Vinícius e os avós Cyrene da Silva Amorim e Lurimar Barbosa de Souza. Cerca de R$ 1.245 para cada.
João Roberto tinha três anos e desde sua morte a família mal consegue sair de casa. O taxista Paulo Roberto não trabalhava como antes, e segundo o advogado João Tancredo, que defende a causa, o estado é responsável por mantê-lo e à sua família.
"Esse é o valor pedido inicialmente. Até que se faça um novo exame para fazer tratamento psicológico e outras coisas", explicou o advogado, que reconhece Paulo Roberto está bastante abalado até agora.
"Ele está muito mal. De vez em quando a gente pega ele falando sozinho. A Alessandra é funcionária pública federal. Tem como pedir licença. Ele não, se parar de trabalhar morre de fome", disse.
João Tancredo explicou também que o Estado agora é intimado a pagar o valor determinado. Se nao pagar a multa é de 25 salários mínimos por dia. "Essa medida é antecipatória. Porque se esperar concluir todo o processo nao adianta mais nada", esclareceu.
O documento foi recebido pela juíza nesta segunda e, de acordo com o advogado, o cartório irá expedí-lo rápido, o que vai obrigar o Estado a um posicionamento.
"O pedido vai para o Secretário de Fazenda. Se não pagar pode pedir a prisão dele e do governador Sérgio Cabral. Eu acho difícil modificar essa decisão. Foi um caso que mexeu muito com a opinião pública", opinou.