Rio - O ex-corregedor da Polícia Militar e líder do movimento dos Barbonos, o coronel Paulo Ricardo Paúl, voltou a criar polêmica ao escrever ontem, em seu blog, que é favorável à extinção da Secretaria Estadual de Segurança. Para ele, a atual forma de gestão nunca foi bem sucedida e mantê-la é insistir no erro. “Esse modelo nunca deu certo, nem com general do Exército, nem com delegado da Polícia Federal, nem com coronel de Polícia”, afirmou o oficial em seu blog.
Paúl defende que a atual Secretaria de Segurança seja dividida entre pastas independentes da Polícia Militar e da Polícia Civil, como já ocorreu na década de 90.
Para o ex-corregedor, a extinção só traria vantagens para o estado e para a população fluminense. “Enxugaríamos a pesada máquina burocrática estatal, permitiria o retorno dos servidores aos seus órgãos de origem e ainda, aumentaria a interação entre as duas instituições policiais”, analisou.
REDUÇÃO DE SALÁRIO
O oficial ainda divulgou ontem no blog um manifesto da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme), que desafia o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. A entidade sugere ao secretário que exerça a função de comandante-geral da PM ou de oficial da corporação recebendo um terço ou até um sexto de seu salário e, mesmo assim, fique motivado sem pedir reajustes.
A reportagem de O DIA procurou Beltrame, mas sua assessoria informou que ele não comentaria as declarações de Paúl. O coronel Gílson Pitta Lopes, comandante da PM, também não iria se pronunciar, de acordo com o setor de relações-públicas da corporação. O coronel Paúl não foi localizado para falar sobre o caso.
PROTESTOS E EXONERAÇÕES
A crise na Polícia Militar provocada pela saída do coronel Ubiratan Angelo do comando da corporação começou a se desenhar ano passado. Nove coronéis, entre eles Paúl e Gilson Pitta, começaram a reivindicar melhorias salariais. Os protestos aumentaram e culminaram, no dia 27, com uma passeata de policiais pela orla da Zona Sul.
O ex-corregedor, que participou do protesto, já haiva escrito no blog que um policial mal pago é presa fácil para a corrupção, ao se referir aos PMs flagrados pegando caixas de cerveja de um caminhão no Lins, mês passado. O governador considerou os fatos como insubordinação e promoveu as mudanças. Doze oficiais já foram afastados.