Rio - Luciano Guinâncio afirma que quer se entregar à Justiça, mas quer garantias de vida para não ser morto. Ao responder num vídeo a perguntas feitas por O DIA, entregues ao ex-PM por seu advogado, ele diz que teme ser executado por policiais civis, que simulariam falso confronto. Na versão de Luciano, a chacina no Barbante foi obra de traficantes. Ele diz que, enquanto as investigações do crime, continuarem focadas na mílicia, novos ataques com mortes vão acontecer na região. O ex-PM diz que o seu nome e o de sua família só começaram a aparecer depois que seu tio, o deputado Natalino Guimarães, fez denúncias de extorsão contra policiais da Polinter.
“O crime acontece na hora, um minuto depois ele (o delegado Marcus Neves) atribui à mim. Ele diz: "Foi o Luciano, a mando do Natalino, do Jerominho’. Estava todo mundo encapuzado, mas foi ele que matou. O delegado simplesmente está inocentando quem cometeu aqueles crimes, direcionando pra uma coisa pessoal. Ele é um inimigo que nem nós, da família, sabíamos que tínhamos”, afirmou.
Luciano rebate as acusações de que teria mandado matar Rodrigo Otávio Torres, o Bin Laden, dia 15, com 27 tiros, em Campo Grande. A polícia afirmou que a execução ocorreu por causa de uma desavença entre os dois. “Todo mundo sabe quem matou. A família dele sabe, mas tem medo. O Rodrigo era uma pessoa que morava na minha casa, ia ser o padrinho da minha filha. O delegado atribuiu a mim essa culpa. Foi uma forma de acobertar o que policiais que trabalham com ele cometeram. Tiraram a vida de um rapaz que nunca pegou numa arma. O delegado não mede as conseqüências”, afirmou.
Neves ironizou Luciano e disse que, se ele quer realmente se entregar, mas está como medo da polícia, deveria procurar o Ministério Público. “Ele também está com medo de auto resistência de procuradores? É desculpa esfarrapada. Ele tem argumentos subjetivos para se defender. Eu tenho provas concretas, minha argumentação é técnica. Não se deve levar em consideração o que criminoso foragido diz”, enfatizou Neves, que afirma que há pelo menos 40 homicídios atribuídos ao ex-PM.
COMPRA DE CARTEIRAS FALSAS
Foragido da Justiça desde 2002, Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, 29 anos, acusado de ser matador da quadrilha de milicianos ‘Liga da Justiça’, disse que morava há três anos no litoral paulista. Ele foi preso em São Vicente, quinta-feira, por policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Santos. Aos agentes, ele apresentou documentos falsos. Pela troca de nomes nas carteiras de motorista e de identidade, Leandrinho teria pago R$ 500.
Segundo o delegado Francisco Garrido Fernandes, o acusado não prestou depoimento, mas negou informalmente relação com o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e o irmão dele, o deputado Natalino Guimarães, acusados de chefiar a ‘Liga da Justiça’. Leandrinho ficará no Centro de Detenção Provisória de São Vicente.
A comunicação do flagrante foi feita à 1ª Vara Criminal da Comarca de São Vicente. O promotor Marcelo Locateli afirmou que a polícia paulista anexou aos autos informações sobre os crimes que Leandrinho responde no Rio — formação de quadrilha, homicídio e roubo, crime pelo qual foi condenado a seis anos de prisão. Ele conseguiu escapar de uma viatura que chegava à carceragem de Neves, em São Gonçalo. A juíza Débora Faitarone Pereira decidirá se ele será transferido para o Rio ou se ficará em São Paulo.