Família de Daniel Duque pede Justiça na missa de 7º dia
Manifestação hoje em Ipanema lembra jovem morto por policial
Rio - Sentados na primeira fila de bancos da Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, chorando muito, os pais do estudante Daniel Duque, 18 anos, eram o retrato da desolação, na tarde desta sexta-feira, durante a missa de sétimo dia do filho, morto ao sair da boate Baronetti. Cerca de 400 pessoas participaram da cerimônia, muitos vestiam uma camisa com a foto do rapaz e a inscrição: “Daniel. Anjo da Paz”. No momento de maior emoção, a família leu uma oração e agradeceu o apoio que vem recebendo. Hoje de manhã, amigos e parentes fazem uma manifestação pedindo Justiça pelas ruas do bairro.
“Vendo tanta gente, tivemos a certeza do quanto nosso filho era amado. Alívio, no entanto, só vamos sentir quando o policial que matou Daniel estiver na cadeia”, disse a mãe do estudante, Daniela Duque, 38 anos.
PADRE JÁ APARTOU BRIGAS
No sermão, o padre Jorjão contou que já chegou a apartar brigas, na frente da igreja, de rapazes que tinha acabado de deixar a boate. Ele criticou a exigência das casas noturnas de consumação mínima. “O álcool é o combustível da violência Quando separei os garotos, peguei a chave de carro de um deles e guardei comigo. Tirei dinheiro do meu bolso e paguei o táxi, porque ele não tinha condições de dirigir. A verdade é que se perdeu respeito à vida humana”, comentou o padre.
Entre os presentes, estava o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas. Daniel foi remador do clube durante três anos. Ele se afastou para se dedicar aos estudos para o vestibular. “Estamos cansados da violência. Só espero que a gente não se acostume a isso. O Brasil perdeu mais que um atleta, perdeu um jovem promissor”, disse Bebeto. O clube vai homenagear Daniel dando o nome dele a uma regata infantil, do Campeonato Brasileiro, que acontecerá amanhã, na Lagoa Rodrigues de Freitas.
O promotor do 3º Tribunal do Júri, Marcelo Rocha Monteiro, recebeu ontem o relatório final da polícia, no qual o soldado da Polícia Militar Marcos Parreira do Carmo foi autuado por homicídio doloso. O advogado Nélio Andrade, contratado pela promotora Márcia Velasco para defender o PM, vai pedir relaxamento da prisão depois que o Ministério Público se manifestar.
Reconstituição da morte de menino em favela
A polícia fará segunda-feira a reconstituição da operação na Favela do Muquiço, em Guadalupe, que provocou a morte de Ramon Fernandes Dominguez, 6 anos, atingido na cabeça por bala perdida. O 9º BPM (Rocha Miranda) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) vão dar apoio à simulação. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli aproveitarão para produzir o laudo sobre como o menino foi baleado.
Há uma semana, Ramon esperava o pai na porta de casa quando a PM iniciou incursão. O garoto morreu no Hospital Carlos Chagas. “Nem penso em sair daqui porque o problema é a forma como a polícia entra na comunidade”, protestou a mãe, Andréia Pereira Fernandes. O deputado Alessandro Molon, da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, encontrou os pais do menino e prometeu apoio jurídico à família.