Rio - O juiz Paulo César Vieira de Carvalho Filho ouviu nesta quarta-feira André Luiz da Silva Malvar, acusado de formação de quadrilha e envolvimento com milícias na Zona Oeste do Rio. A audiência da ação penal 2008.068.00004, que corre no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, foi realizada na Seção Criminal. O acusado estava foragido e foi preso no domingo passado, em Ponta Negra, Natal.
Durante o interrogatório, André Luiz afirmou que é genro do vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e que conhece também seu cunhado Luciano Guimarães, o deputado estadual Natalino José Guimarães e Nadinho de Rio das Pedras, sendo, este último, da Câmara Municipal.
Disse que é casado há três anos, é policial civil há 18 - estava lotado, ultimamente, no Instituto Félix Pacheco (IFP) - e que mora em um apartamento de dois quartos alugado na Barra da Tijuca, Zona Oeste, e que já trabalhou com compra e venda de carros.
Ele comentou que não freqüentava muito Campo Grande e admitiu que já foi preso em flagrante por triplo homicídio e tentativa de homicídio em São Pedro da Aldeia e que responde ainda pelo homicídio do inspetor Félix Tostes, no 4º Tribunal do Júri da Capital, no qual já foi pronunciado e tomou ciência.
André Luiz afirmou que havia seis meses estava foragido em Natal, onde esteve em um flat emprestado por um amigo de sua esposa, pelo qual, porém, pagava R$ 1 mil por mês. Em seu depoimento, ele falou também que ganha cerca de R$ 1.800,00 líquidos como policial e que sua esposa trabalha na Câmara Municipal, onde tem cargo em comissão e recebe cerca de R$ 7 mil. Ele explicou, porém, que ela não é lotada no gabinete de seu pai.
O acusado disse que desde que foi preso recebeu perseguição implacável e que teria fugido da Polinter de Campo Grande pelo telhado, pulando o muro, que, segundo ele, era baixo. Ainda de acordo com André Luiz, seus advogados haviam pedido sua transferência para Campo Grande, pois o presídio seria destinado a pessoas com nível superior e a policiais.
O grupo composto de onze pessoas é suspeito de extorquir dinheiro de moradores e comerciantes da Zona Oeste, em troca de proteção conta ação de criminosos da Região, em especial, de Campo Grande. Os acusados foram denunciados pelo Ministério Público Estadual por formação de quadrilha armada e prática de crimes. A denúncia foi oferecida em 22 de dezembro de 2007 pelo procurador-geral da Republica, Marfan Vieira, e aceita pela desembargadora Maria Henriqueta Lobo, em 07 de abril deste ano.
Os outros réus, além de Jerominho e Natalino, são: Gladson dos Santos Gonçalves; Júlio Cesar Oliveira dos Santos, vulgo Julinho Tiroteio; Ricardo Teixeira Cruz, vulgo Batman; o ex-policial militar Luciano Guinâncio Guimarães (filho de Jerominho); Edson Lima Calles Júnior, o Juninho Perneta; Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra Ossos; Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo; e Alcemir Silva, o Fumão.