Rio - O genro do vereador preso Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB), deve chegar ao Rio por volta das 16h desta segunda-feira.
O policial civil André Luiz da Silva Malvar — foragido da Justiça sob acusação de assassinatos e envolvimento com a milícia ‘Liga da Justiça’ — foi capturado, na tarde deste domingo, em um condomínio de luxo na praia de Ponta Negra, região nobre de Natal, capital do Rio Grande do Norte.
Para fechar o cerco a Malvar, agentes do serviço de Inteligência da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) contaram com o apoio de policiais da Superintendência da Polícia Federal de Natal.
Para prender o policial civil foragido — considerado o braço operacional da milícia, dois agentes da Draco-IE viajaram no sábado. Outros dois acompanharam a distância a mulher de Malvar, Elen Patrícia Guimarães, num vôo que partiu para Natal às 11h de domingo. Na ação comandada pelo chefe do setor de Inteligência, Jorge Gerhard, ela foi seguida até um flat onde o casal estava morando há três meses. Malvar foi preso por sete agentes, entre policiais civis e federais, às 17h, e levado para a carceragem da Polícia Federal.
Carta de Natalino
Desde o dia primeiro de abril, em Natal, Malvar era conhecido como Claudinho na região. Apesar da distância, ele ainda mantinha contatos no Rio. Agentes da Draco-IE encontraram uma carta do deputado estadual Natalino José Guimarães, do DEM, pedindo que ele cuidasse bem da sobrinha. “Malvar estava foragido da Justiça desde janeiro. Pela carta enviada por Natalino, nota-se que o deputado sabia muito bem onde ele estava”, afirmou o delegado-titular da Draco-IE, Claudio Ferraz. A polícia também vai investigar se Malvar tinha investido em negócios em Natal para ‘lavar’ dinheiro da quadrilha. Para monitorar o policial civil, os agentes da Draco-IE contaram até com dados repassados por um informante infiltrado dentro da quadrilha. Da família dos irmãos Jerominho e Natalino, ainda continua foragido da Justiça Luciano Guinância, filho do vereador, que já foi expulso da Polícia Militar.
Longa ficha
André Luiz da Silva Malvar foi preso pela primeira vez em agosto do ano passado, na Região dos Lagos, no ataque ao sargento da PM Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala. Na ocasião, a mulher e o enteado do PM morreram. Malvar responde ainda na Justiça pelo assassinato do inspetor Félix dos Santos Tostes, chefe da Favela Rio das Pedras, em fevereiro de 2007. No processo, que tramita no 4º Tribunal do Júri, o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras (DEM), figura como o mandante do crime.
A caçada da polícia a Malvar começou em janeiro deste ano quando ele fugiu da carceragem da Polinter, o Ponto Zero, em Campo Grande. Em função da fuga, o governador Sérgio Cabral decidiu desativar a unidade, classificada como especial, destinada a policiais. Malvar responde ainda por formação de quadrilha armada, com Jerominho e Natalino, e mais oito acusados no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio.
‘Ok’ para bomba
A Blazer 2000 do investigador da Polícia Civil José Lino Filho — acusado de envolvimento no atentado contra a 35ª DP (Campo Grande) — foi apreendida pelos agentes da delegacia quinta-feira. Na ocasião, os policiais, de posse de um mandado de busca e apreensão, recolheram ainda peças de carros. O veículo e o material estavam em Campo Grande na casa do investigador, lotado na 63ª DP (Japeri). De acordo com o delegado Eduardo Alves Soares, o buraco na lateral direita do veículo foi provocado por estilhaços da bomba. “O policial civil foi o responsável por dar o sinal para os criminosos que estavam no viaduto jogarem a bomba na delegacia”, afirmou.
Com mais de 20 anos de serviços prestados à polícia, José Lino também trabalhou na delegacia de Campo Grande. “A investigação está sendo feita com rigor para chegar aos culpados”, ressaltou o delegado. Para a polícia, o atentadofoi encomendado pelo deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM).