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24/5/2007 01:42:00

Esporte contra a violência: A hora decisiva

Amanhã, especialistas debaterão o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que vem sendo considerado ameaça para portadores de algum tipo de problema físico. Eles temem exclusão social e perda dos direitos conquistados com sacrifício e superação por pessoas co

Ana Carla Gomes e Janir Júnior

Rio - O paixão pelo futebol continua viva, mas foi no vôlei paraolímpico que Wescley Conceição de Oliveira reencontrou seu caminho depois de ter sido vítima de um acidente parecido com a tragédia desta semana, em Anchieta, em que duas crianças e sua tia morreram ao serem atropeladas na calçada por um ônibus. No caso de Wescley, ele teve a perna esquerda amputada após ser atropelado por uma Kombi, em 2000, na calçada de um bar, em Alcântara.

É a vida de pessoas como Wescley que estará em debate amanhã, no fórum que será realizado na sede da OAB-RJ, no Centro, para análise do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que tramita em Brasília e é tido como ameaça pelo risco de exclusão social. A pouco mais de dois meses do Parapan, políticos, atletas e autoridades ligadas à causa discutirão uma forma de barrar a legislação.

“Já temos nossos direitos assegurados e nos sentimos inclusos na sociedade. É preciso lutar para que as leis atuais sejam cumpridas; não existe necessidade do Estatuto, porque não somos coitados”, afirma Bruno Matzke, 29 anos, que pratica basquete em cadeira de rodas há quase 10 anos.

Wescley, por sua vez, passou a fazer parte do quadro de atletas paraolímpicos depois do acidente, em 2000. Na época, ele tinha 16 anos, era goleiro de uma escolinha do Vasco e vivia a expectativa de fazer um teste para o time cruzmaltino. “Uma semana antes do teste, sofri o acidente. Sou rubro-negro e estava assistindo a um jogo entre Vasco e Flamengo, num bar. Como estava cheio, fiquei do lado de fora. Para desviar de um carro, a Kombi invadiu a calçada e pegou o pessoal”, recorda.

VAGA NO PARAPAN

Levado para o hospital, ele recebeu da mãe a notícia de que teria a perna esquerda amputada: “O médico a chamou para conversar. Minha mãe ficou com medo da minha reação. Quando ela me disse o que iria acontecer, pedi a Bíblia, li o Salmo 91 e pensei: ‘Seja o que Deus quiser’. E assim foi feito”.

Na reabilitação, ele conheceu a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef) e reencontrou o esporte. Primeiro, praticou futebol, mas depois foi encaminhado ao vôlei sentado.

A experiência deu tão certo que Wescley foi convocado para a seleção brasileira paraolímpica de vôlei que disputou o Parapan de Mar del Plata, em 2003, na Argentina; o Mundial Sub-23, em 2005, na Eslovênia; e o Mundial adulto, em 2006, na Holanda. “Quando comecei, não esperava chegar tão longe assim”, admite ele.

Para o Parapan do Rio, Wescley já está pré-convocado. “Esse Parapan promete. Temos chance de ir à final e até de ganhar o ouro. Além disso, jogar no Rio, com a torcida a nosso favor, serve de inspiração”, comenta ele, que reduziu os treinos por conta do trabalho como cobrador numa empresa de ônibus e ainda compete no futebol. “O futebol é uma paixão”, completa.

A SÉRIE ESPECIAL

Domingo, O DIA iniciou a série que mostra a superação de atletas paraolímpicos vítimas da violência. No primeiro capítulo, a Seleção de basquete em cadeira de rodas, marcada por tragédias. No segundo, os problemas na adaptação dos locais de prova do Parapan. No terceiro, a polêmica do Estatuto dos Portadores de Deficiências. E, no quarto, os policiais que foram baleados e passaram a competir no tiro.

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