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29/5/2007 02:26:00

Secretário chamado de “maconheiro”

Rio - Em outra gravação de discurso para a tropa, no dia 4 de maio, Germano ironizou o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc. Ao se mostrar favorável à promoção de policiais “por bravura”, ele fez uma referência ao secretário.

“Não pode ter medo desse Carlos Minc maconheiro, não. Que se dane ele! Não é ele que tá na rua tomando tiro”, afirmou.

Quando era deputado estadual, Minc foi autor da lei 2993/98, que acabou com a premiação dos policiais que mais matavam — a chamada Lei Faroeste, criada na gestão do secretário de Segurança Nilton Cerqueira.

Procurado, o secretário Carlos Minc não quis polemizar a respeito do discurso de Germano. “O preconceito e a grosseria falam por si. Ele quer me desqualificar por ser a favor da descriminalização do usuário de drogas e por ter acabado com a Lei Faroeste”, afirmou.

Minc contou que hoje tratará do assunto diretamente com o governador Sérgio Cabral. “As declarações dele a favor de práticas como a tortura são contra as leis. Acho ele desqualificado para exercer qualquer cargo na Polícia Militar”, disse.
O comando da Polícia Militar não quis comentar as novas declarações.

A repercussão

O discurso do tenente-coronel Germano provocou indignação entre representantes de entidades ligadas aos direitos humanos. O deputado Alessandro Molon, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, criticou o oficial. “É lamentável um coronel da PM fazer menção a um período do qual o Brasil não se orgulha, quando muitas vidas foram ceifadas.”

Molon afirmou que as declarações também são perigosas para a tropa. “Podem dar a sensação entre os seus subordinados de que esses métodos são eficazes”, reclamou, prometendo lançar moção de repúdio ao PM.

Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, João Tancredo, declarou que Germano cometeu uma infelicidade e acha que o Ministério Público deveria denunciá-lo. “Ao pregar a tortura, ele cometeu um crime”, disse.

Para ele, as declarações reproduzem o que ainda ocorre em delegacias e batalhões. “Ele não pode pedir a volta de uma coisa que não saiu. Nossa polícia é a que mais tortura. Os presos continuam sendo torturados.” Tancredo pretende encaminhar uma notícia-crime à Justiça contra o oficial.

 

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