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5/6/2007 02:12:00

Boletim sem disciplinas é ‘crime’ para o governador

Cabral critica trabalho da secretaria pela retirada de matérias sem professor de documento oficial das escolas e diz que cobrou explicações de Nelson Maculan, mas não obteve resposta

Rio - O governador Sérgio Cabral não poupou críticas à gestão da Secretaria de Estado de Educação e classificou como “crime” a omissão de disciplinas sem professores dos boletins de alunos da rede estadual de ensino — revelada por O DIA semana passada. Ele afirmou que cobrou explicações do secretário Nelson Maculan, mas que até agora não obteve nenhuma resposta.

“Eu já pedi ao Maculan que me explicasse o que é isto. Ele ficou de me responder, mas ainda não tenho resposta. Porque é evidente que não pode omitir. Isso é crime. O Estado não pode cometer crime”, frisou Cabral.

O governador também criticou as declarações do coordenador das Ações Socioeducativas do Degase, Eduardo Gamelero, que defendeu a tese de que a falta de professores nas unidades não prejudica a recuperação dos menores infratores.

“Acho que as atividades extracurriculares são importantes, mas discordo em gênero, número e grau da declaração do diretor. A Adriana, minha mulher, leu e ficou indignada”, revelou. Em entrevista na edição de ontem de O DIA, Gamelero dissera que não havia problema em suprir a falta de professores de Matemática por enfermeiros para dar aula de higiene bucal. Ontem, Gamelero admitiu a falta de professores e defendeu uma reforma educacional para tornar as escolas mais atraentes para os alunos.
 
COMPARAÇÃO

Cabral comparou o desempenho da Secretaria de Educação com as demais pastas estratégicas da administração estadual. “Todas as secretarias estão trabalhando com alguma precariedade. A Segurança tem as suas, a Saúde tem as suas. Mas está todo mundo se esforçando para fazer o melhor. Agora, espero que na Educação a gente resolva esse impasse que desde o início do ano letivo atormenta a mim pessoalmente”, admitiu Cabral.

Segundo o governador, ele autorizou a contratação de mais mil professores, solicitada por Maculan na sexta-feira passada. “O secretário me garantiu que com esses mil professores resolveria o problema. Eu espero que resolva”, cobrou.

Procurado através da assessoria de imprensa, Maculan não respondeu ao pedido de entrevista. Em nota, a Secretaria de Educação informou que não pode emitir nos boletins notas de matérias que não estão sendo dadas por carência de professores. Segundo a secretaria, o calendário de reposição será organizado caso a caso. 
 
CONVOCAÇÃO

Ontem saiu a última listagem do concurso de 2004, com a chamada de 531 professores, de 5ª a 8ª séries e o Ensino Médio, somando 2.600 concursados. A maioria irá para escolas da Tijuca, Centro, Zona Sul, Baixada e Zona Oeste.

O presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa (Alerj), deputado Comte Bittencourt (PPS), ingressou com representação contra a Secretaria de Educação no Ministério Público de Niterói, com pedido de ação civil pública. Segundo Bittencourt, o problema já se arrasta sem definição há meses, o que tem deixado alunos em casa.

Mães deixam emprego por causa de filhos sem aula

Mães de Nova Iguaçu contam que foram obrigadas a abandonar o emprego para cuidar dos filhos, alunos de escolas estaduais que ainda estão sem professor. Simone Silva, 33, trabalhava como operadora de trânsito em shopping no Rio e pediu demissão depois de dois anos empregada para cuidar das filhas, Monique, 9, e Monise, 11, alunas da 4ª e 6ª séries do Ciep 373 — Brigadeiro Teixeira, no Jardim Paraíso. “Eu ganhava cerca de R$ 500 e hoje tiro R$ 100 lavando roupa. Para piorar, meu marido foi demitido sexta-feira”, disse.

Mãe de três filhos, a ex-doméstica Louise Santana Pereira, 28 anos, largou o serviço na Barra. A renda de um salário caiu para R$ 90, como lavadeira, para estar perto de Kathelyn, 5, Renan, 10, da 4ª, e Raiane, 9, da 2ª série do Ciep 373. “Não tinha como pagar para alguém tomar conta deles, pois repassaria tudo que recebesse”, diz Louise.
Mesmo drama é vivido por Josiane da Costa Rodrigues, 30 anos, que abriu mão de R$ 80 por semana para cuidar dos filhos.

“Quando estudavam, ficavam o dia inteiro na escola. Agora, como vou deixá-los sozinhos?”, questiona a mãe. Além dos filhos Taiane, 8, Bruno, 6, e Rafael, 2, Josiane toma conta dos sobrinhos Anderson, 10, e Larissa, 8. Todos matriculados no Ciep 373.

Reportagem de Alfredo Junqueira, Mahomed Saigg, Jefferson Machado e Maria Luisa Barros

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