Madalena Romeo
Rio - Enquanto alguns acham que é hora de parar, tem gente começando uma nova história de amor. É cada vez maior o número de homens e mulheres com mais de 60 anos que descobrem que têm muito para aprender e aproveitar com um novo relacionamento a dois. Terça-feira, no Dia dos Namorados, não faltarão motivos para comemorar.
“Nunca senti algo tão forte”, conta a técnica em administração Nelita Von Der Hayden, 61 anos, que há um ano conheceu o empresário Raimundo Portela Martins, 65 anos, com quem vive hoje. Desde o primeiro dia em que se viram e dançaram juntos, no baile de um clube na Vila da Penha, perceberam que seria para valer.
“É difícil explicar. A gente costuma dizer que é coisa de Deus”, diz Portela. O casal conta que nunca teve uma vida sexual tão intensa. Para Nelita, que há 15 anos estava sozinha, foi mais difícil se entregar. “Eu tinha medo, mas depois tudo deu certo”, comemora.
As estatísticas do Registro Civil do IBGE dão uma idéia desse universo, embora deixe de fora namoros e casamentos informais. Em 2005, foram realizados 25.332 casamentos no Brasil e 1.162 no Rio com pelo menos um dos cônjuges tendo mais de 60 anos.
A dona-de-casa Dulcinéa Espiúca, 64 anos, já havia desistido de namorar antes de conhecer João, 65, há dois anos. “Eu não esperava nada da vida. Havia me decepcionado muito. Não queria mais sofrer”, lembra. Hoje ela se diz completamente apaixonada. “Ainda bem que eu resolvi tentar de novo. Valeu a pena”, garante.
A psicanalista Isabel Gurgel Valenta, 75 anos, que há um ano namora Paulo, 78, nunca desistiu. “Precisamos ter humildade para perceber que ninguém viveu tudo na vida”, observa.
Namoro protege a saúde
Para especialistas, o aumento da expectativa e da qualidade de vida contribui para o início de novos relacionamentos na terceira idade.
O amor também ajuda a melhorar o estado de saúde. “Depois que comecei a namorar, não senti mais dores no corpo como sentia antes”, conta Dulcinéa. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria, seção Rio, Carlos Paixão, há pesquisas que indicam que os homens são mais dependentes de uma relação amorosa. “Os solteiros na terceira idade ficam mais doentes, enquanto os casados apresentam menos problemas mentais”, revela.
O médico acredita que relacionamentos mais profundos oferecem mais proteção. “É mais benéfico para saúde do que relacionamentos superficiais”, observa o especialista.
Maturidade estimula a felicidade
Os casais da terceira idade acreditam que a experiência é uma das causas da felicidade. “A gente se conhece melhor e aprende a não criar problemas”, comenta Isabel. Dulcinéa concorda e ressalta: “Não é só encontrar a alma gêmea. É preciso saber lidar com o outro com respeito e sinceridade. Além de saber perdoar”.
A dona-de-casa comprou roupa nova para fazer um programa-surpresa com o namorado na terça-feira. “É sempre um bom motivo para a gente ter mais um dia romântico”, acredita. Entre os homens idosos que se casaram em 2005, os divorciados e viúvos eram mais numerosos que os solteiros. Já entre as idosas, a grande maioria era de solteiras.