Rio - Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) e agentes da Vigilância Sanitária de São Gonçalo interditaram na manhã de ontem açougue em Alcântara onde havia duas toneladas de carne em avançado estado de putrefação. A loja, porém, ‘maquiava’ os alimentos para que parecessem normais com produto cancerígeno. Acondicionados em refrigeradores precários, eles estavam verdes e não tinham indicação de procedência. Gerente foi preso em flagrante.
Os fiscais da Vigilância e policiais da Decon encontraram, em área no interior do açougue, funcionários ‘maquiando’ a carne para disfarçar o péssimo estado e tentar vendê-la, mesmo fora da validade. Um dos empregados retirava, num tanque, as partes mais podres das peças estragadas com palha de aço. Ele foi detido para prestar depoimento e liberado.
RISCO À SAÚDE
Outro ‘método’ para tapear os consumidores era ainda mais nocivo. Na blitz, os agentes encontraram dois produtos químicos que jamais deveriam ser aplicados nas carnes em açougues.
Um foi o sulfito de sódio, composto que causa alergia à pele, aos olhos e às vias respiratórias, além de vômitos. O outro é o sal de cura, produto que pode ser usado em carnes, mas em quantidades bastante inferiores e só em indústrias autorizadas. O conservante é utilizado na fabricação de embutidos, como lingüiças, e pode causar câncer se ingerido em excesso ou aplicado fora dos padrões, como no Via 80.
GERENTE PRESO
O gerente Marcelo Vitorino da Silva, 31, foi preso e responderá por crime contra o consumidor, cuja pena chega a quatro anos de prisão. O dono do açougue, José Luís da Cunha Moura, é investigado por supostamente ser sócio de duas lojas fechadas terça-feira e no fim de maio na região. A loja de Alcântara funcionava na Rua Iolanda Saad Abuzaid.
A delegada titular da Decon, Andrea Menezes, informou que, durante a operação, vários vizinhos do Via 80 abordaram os policiais para reclamar da péssima qualidade da carne. “Duas pessoas já prestaram queixa na Decon”, acrescentou.
TRÊS LOJAS DA SOCIEDADE FECHADAS
Dono do Via 80, em Alcântara, o empresário José Luís da Cunha Moura já responde em liberdade a dois inquéritos relativos à interdição de açougues em Niterói e São Gonçalo. As investigações, comandadas pela delegada Andrea Menezes, levantam se os três estabelecimentos faziam parte da falida Gaúcha Carnes. A titular da Delegacia do Consumidor (Decon) suspeita que a rede de lojas recorreu a laranjas e alterou o nome de fantasia das filiais para mantê-las abertas.
Terça-feira, a Decon esteve no Multi Carnes, na Rua Gavião Peixoto, em Icaraí, Niterói. Os policiais recolheram quatro toneladas de carne fora da validade e sem procedência e cerca de 100 quilos de laticínios em mau estado.
No dia 21 de maio, a operação foi no frigorífico Radick, na Rua Curitiba 10, em Trindade, também em São Gonçalo. Lá, a apreensão foi ainda maior: foram 100 toneladas de carnes estragadas. O teto de uma das câmeras ameaçava desabar, e ratos passeavam pelas peças. O centro distribuía alimentos para o município, Niterói e até o Rio de Janeiro. Nas duas operações, duas pessoas foram presas.