Rio - Depois de dois meses sendo captados e lançados ao mar, todo o esgoto de condomínios da Barra da Tijuca, de Jacarepaguá, Cidade de Deus e Rio das Pedras voltou a ser despejado “in natura” nas lagoas da região. São cerca de 500 litros por segundo, que vão continuar poluindo o sistema lagunar da Bacia de Jacarepaguá, pelo menos, por uma semana. Esse é o tempo que deverá durar a manutenção preventiva programada na estação elevatória central da Cedae, na Avenida Ayrton Senna, que faz captação e bombeamento dos resíduos até o emissário submarino da Barra.
Até lá, as lagoas vão receber aproximadamente 302,4 milhões de litros por segundo. Nesse volume, estão incluídos os esgotos coletados nos condomínios Santa Mônica e Novo Leblon, na Barra, os únicos conectados com o sistema de saneamento da Cedae. Todos os demais condomínios despejam o esgoto nas lagoas.
ESGOTO DO PAN
Segundo o presidente da companhia, Wagner Victer, o sistema foi paralisado sexta-feira para verificação dos equipamentos, por conta dos Jogos Pan-Americanos. A estação terá aumento de carga, porque receberá esgoto da Vila Pan-Americana. A conexão com a rede será feita quinta-feira. “O sistema de tratamento de água do Guandu também parou para manutenção. Faz parte das operações preventivas. No caso da elevatória, precisamos rever todo o sistema que não recebia nenhuma carga antes, e verificar como vai se comportar quando estiver funcionando na sua plenitude”, explica Victer.
Ambientalista aponta riscos
Às vésperas do Pan, o lançamento de milhares de litros de esgoto nas lagoas da Bacia de Jacarepaguá deixou preocupados ambientalistas. Para o biólogo Mário Moscatelli, o lançamento de resíduo sem tratamento agrava mais a poluição e o desequilíbrio ambiental que tomou conta da região.
Moscatelli alerta para os riscos causados à população, em virtude da enorme quantidade de lixo e esgoto despejados em canais, rios e lagoas. “Os esgotos carregam para as águas nitrogênio e fósforo que funcionam como um adubo ruim que possibilita a proliferação de algas gigogas e bactérias que liberam toxinas nocivas ao homem” , critica o biólogo.
As algas e outros microorganismos, segundo ele, esgotam o oxigênio, causam a mortandade de cardumes e, quando chegam às praias, impedem o banho de mar. “O sistema de coleta de esgoto dos condomínios faz apenas o tratamento primário, que é separar o líquido do sólido. Só agrava ainda mais o problema”, afirma.
150 MIL LANÇAM ESGOTO
Cinqüenta condomínios, como o Vivendas do Bosque, aguardam o término das obras na Estação de Marapendi para integrar o Programa de Saneamento da Barra da Tijuca, de Jacarepaguá e do Recreio dos Bandeirantes. A elevatória de esgotos, orçada em R$ 70 milhões, terá capacidade para coleta e bombeio de 900 litros por segundo de rejeitos atualmente lançados nas Lagoas de Jacarepaguá, Marapendi, Camorim e Tijuca. A previsão é que o sistema Marapendi esteja concluído até janeiro de 2008. A expectativa é beneficiar aproximadamente 150 mil pessoas.
A estação de Marapendi faz parte do Programa de Despoluição da Baixada de Jacarepaguá. A elevatória vai levar esgoto da região oceânica da Barra e do Recreio para a estação de tratamento de esgoto da Avenida Ayrton Senna, que ainda não está em operação. Depois de tratado, os resíduos serão enviados ao Emissário Submarino, para serem lançados diretamente ao mar.