Rio - A máfia dos jogos tinha grande poder de mando dentro da Polícia Civil e da PM, de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que resultou nas 25 prisões da Operação Furacão 2. O documento revela que o inspetor Cláudio Augusto Reis de Almeida, o Claudinho, lotado na Draco, recebeu ordem de Marcos Antônio dos Santos Bretas, o Marcão, para interromper diligência contra bingos em Duque de Caxias. Nas conversas gravadas pela Polícia Federal (PF), Claudinho liga imediatamente para seu chefe, identificado como “Gordo”, pede o fim da operação e é atendido.
O inspetor Miguel Laíno chegou ao ponto de pedir autorização a Marcão, numa conversa telefônica, para instaurar procedimento policial contra a casa de Bingo Saens Peña. Marcão também conversa com o major PM Márcio Andrade Vasconcelos sobre a realização de operações policiais em favelas do Rio a pedido de Júlio Guimarães.
Os favores prestados à organização criminosa eram muito bem pagos, segundo a PF. O inspetor Jorge da Silva Caldas, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), aparece nas escutas pedindo 30 (supostamente R$ 30 mil) a Marcão e explica que ficaria com 23.
A quadrilha escolhia policiais com poder de mando dentro das delegacias, conquistado pelo êxito profissional. O inspetor Alcides Campos Sodré, da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior e braço-direito do ex-chefe de Polícia Civil, Ricardo Hallak, prendeu Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, da Maré, e participou das investigações e da morte do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, do São Carlos. Outro inspetor, Fernando Rodrigues Santos, o Salsicha, participou das prisões de Marcinho VP, Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê e de Robinho Pinga.