Denise Oliveira
Rio - Mais de 80 veículos destinados ao combate à dengue estão abandonados em pátio da Comlurb em Campo Grande, na Zona Oeste. Enquanto isso, os números da doença sobem. Este ano, já são 13.687 casos entre janeiro e maio, 95 a mais que no mesmo período de 2006. Se comparada com 2005, a diferença é assustadora: foram 983 registros durante todo o ano. O Ministério da Saúde está retomando os veículos cedidos para consertá-los. Dez que estavam em Campos já foram reformados, e está em andamento nova licitação para a recuperação de mais 50. Após o mutirão na oficina, o ministério deverá discutir com o governo do estado o destino da frota.
A Secretaria Municipal de Saúde explicou que os carros foram cedidos pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em 2002, mas, por terem sido considerados inadequados para o serviço, a manutenção não é prioridade. A Funasa informou que já existe processo administrativo sobre o problema. “Apesar de não estarmos mais trabalhando no combate à dengue, queremos que os carros sejam usados adequadamente”, disse o coordenador da Funasa no Rio, Marcos Muffareg.
A prefeitura afirma ter adquirido 19 Kombis e contar com frota de 82 veículos para o serviço. Segundo a secretaria, as Kombis são mais apropriadas ao trabalho, porque conseguem transportar equipes completas, o que não era possível com os carros da Funasa.
Mesmo os veículos destinados ao fumacê são utilizados com pouca freqüência, pois, segundo a secretaria, a técnica só é aplicável em casos de epidemia. Ainda de acordo com o órgão, está sendo negociada com a Funasa a devolução das caminhonetes que estão sem uso.
O Ministério da Saúde vai repassar este ano R$ 18 milhões para o Rio para ações de controle da dengue. Também está previsto acréscimo de R$ 5,5 milhões, por ano, para a contratação de agentes de campo. Denúncias sobre focos do mosquito da dengue podem ser feitas pelo telefone 2575-0007.
BAIRRO COM MAIOR INCIDÊNCIA É CAMPO GRANDE, COM 1.749 CASOS
Enquanto o impasse se arrasta, a dengue continua preocupando o Rio. Na Barra, onde se concentrarão 70% dos eventos do Pan e onde os atletas ficarão alojados, os registros da doença somam 354 desde janeiro. No Recreio são mais 203 casos. O bairro com maior incidência é Campo Grande, com 1.749 registros no ano.
“Já peguei dengue, mas não foi do tipo pior”, disse o vendedor Cláudio Barros, que teme recaída. A agência de carros onde trabalha é vizinha do pátio onde os carros estão largados. Segundo ele, o local está virando foco do mosquito transmissor da doença.
“Vimos esses carros chegarem novos e ficarem aí abandonados, tomando sol e chuva. Às vezes ele usam o fumacê aí dentro, de tanto mosquito”, contou. Embora a secretaria negue, agentes de saúde estimam em 70% a redução do trabalho. Eles contam que são poucos carros na rua e em condições precárias. Acrescentam que alguns estão com vistoria e taxas atrasadas.