Rio - A polícia já tem presos os cinco jovens de classe média alta, acusados de roubar e agredir a empregada doméstica Sirlei de Carvalho, 32 anos, sábado de madrugada, na Barra da Tijuca. Durante o dia, após denúncia anônima, os policiais capturaram o estudante de Direito Rubens Arruda, 19, localizado na casa de um amigo, na Ilha do Governador, para onde fugiu após o crime. O rapaz, cujo nome não foi revelado, será indiciado por dar cobertura ao foragido.
No final da noite, o último acusado, Rodrigo Baçalo, 21, decidiu entregar-se na 16ª DP (Barra). Estudante de Turismo, Rodrigo apresentou-se de capuz e acompanhado de três advogados e não quis dar declarações.
De acordo com o delegado titular da 16ª DP, Carlos Augusto, os cinco pitboys acusados agora vão dividir a mesma cela, de cerca de dois metros de comprimento por 1,5 metro de largura, sem camas ou colchonetes.
Os rapazes serão transferidos para a Polinter. Situação que o pai de Rubens, o empresário Ludovico Ramalho, 47, rejeita: “Não queremos que eles dividam celas com bandidos perigosos na Polinter. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham.”
O pai do estudante diz que as drogas podem explicar o comportamento do filho: “Nós pais não temos culpa disso”. O padrasto do estudante de Administração Felippe de Macedo Nery Neto, 20, também esteve na delegacia. Contou que o jovem toma calmantes para controlar Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.
Felippe, único a depor até agora, provocou os policiais e sugeriu que o ataque ficará impune. “Vamos ver se isso vai ficar assim, minha família não é qualquer uma”. disse o jovem ao delegado. Felippe mora na cobertura de luxuoso prédio na Barra. Advogado do estudante pediu relaxamento da prisão, o que foi negado.
DELEGADO FAZ APELO
A brutalidade dos jovens de classe média alta não fez vítima apenas Sirlei. Segundo a doméstica, os rapazes espancaram ainda outras duas mulheres, que a polícia tenta identificar e localizar. Sirlei acredita que elas também são empregadas domésticas. A versão da vítima foi confirmada por Felippe. “Saímos varrendo todo mundo.” O delegado fez apelo para que as mulheres registrem o crime. O advogado de Sirlei, Marcos Fontenele, acusa os criminosos de terem “fobia dos menos favorecidos”.
A polícia pretende ouvir o taxista que ajudou na prisão dos rapazes. O advogado do técnico de informática Leonardo Andrade, 19, Paulo Scheele, acha que “mais provas deveriam ser produzidas”. O estudante de Gastronomia Júlio Junqueira, 21, também continua preso na 16ª DP. Nenhum dos jovens tem passagem pela polícia.
AÇÃO CONTRA OS JOVENS
Com fortes dores de cabeça, tontura e febre, Sirlei voltou ontem ao hospital. Levada ao Barra D’Or, na Barra da Tijuca, por Kátia Cilene, ex-mulher de seu patrão, ela passou por novos exames, inclusive ressonância magnética. E descobriu que seu braço foi quebrado. As seqüelas e os traumas deixados pelo ataque fizeram com que o advogado Marcos Fontenele anunciasse que vai mover ação cível por danos morais, estéticos, físicos e financeiros contra os cinco jovens. “Ela vai ter que ficar sem trabalhar um tempo”, afirmou ele.
No Hospital Lourenço Jorge, onde foi atendida após o ataque, não foi detectada a lesão no braço. Sirlei pensou que os rapazes fossem colocá-la no carro para matá-la.
A vítima contou que o filho, João Gabriel, 3 anos, não quer deixá-la sair de casa. “Quando avisei para meu marido o que tinha ocorrido, ele disse que meu filho havia acordado perguntando por mim. Ao chegar em casa, ele me viu e começou a chorar.”
FRASES
“Vamos ver se isso vai ficar assim, minha família não é qualquer uma”.
Estudante de Administração Felippe de Macedo Nery Neto, 20 anos, na delegacia da Barra da Tijuca
“Não queremos que eles dividam celas com bandidos perigosos. Não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presas”.
Pai de Rubens