Rio - A megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão quarta-feira foi apenas a primeira de muitas investidas que a polícia vai fazer em outras favelas do Rio para combater o tráfico de drogas. “O Alemão é só o começo”, adiantou o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
Segundo o secretário, o Alemão foi escolhido para ser o primeiro alvo das megaoperações devido ao alto nível de violência no local. “A polícia não tem condições de fazer intervenções em todos os morros do Rio todos os dias. Definimos em janeiro que começaríamos pelo Alemão porque os índices de criminalidade dessa região são muito grandes. Mas também faremos operações em outras favelas. A Inteligência da polícia é que vai definir data e local dessas ações”, disse. Na véspera, Beltrame havia citado Rocinha e Cidade de Deus.
Beltrame afirmou que os policiais continuarão no Alemão para evitar que traficantes fujam para outras favelas. “A presença nas áreas periféricas do complexo é para impedir a entrada de armas e também a saída de traficantes. Vamos manter a asfixia 24 horas no complexo.” O policiamento a médio prazo, para que os chefes do tráfico não voltem, será definido semana que vem. “Na verdade, temos que distribuir o policiamento ostensivo em todo o Rio. Através dos índices de criminalidade, sabemos as regiões mais atingidas. Temos que multiplicar nossas ações nessas áreas.”
Apesar de ser considerada um sucesso pela polícia, a ação no Alemão foi bastante criticada por defensores dos direitos humanos e autoridades da área de Segurança. O presidente da Comissão de Segurança Pública e contra o Crime Organizado da Câmara, deputado federal João Campos (PSDB-GO), declarou estar preocupado com os violentos confrontos às vésperas do Pan. Disse que pretende vir ao Rio avaliar a situação semana que vem.
Mesmo sem saber dos questionamentos do deputado sobre o Pan, Beltrame já havia admitido ontem não ser possível assegurar que não ocorrerão ações de criminosos durante os Jogos, mês que vem. “O que posso dizer ao cidadão é que as polícias Civil e Militar estão muito bem preparadas. Existe todo um planejamento. Vamos contar com 20 mil policiais. Eu tenho certeza que serão Jogos com muita paz”, afirmou o secretário.
O deputado também reprovou a afirmação de Beltrame de que foi “quebrado um pacto de não-agressão”, em referência à administração anterior, da governadora Rosinha Garotinho. Secretários de Segurança na gestão de Rosinha, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) e o delegado de Polícia Federal Roberto Precioso Júnior responderam à crítica, afirmando que ocorreram várias prisões durante suas passagens pela pasta.
Ontem, a Força Nacional de Segurança e a PM continuaram nos acessos às comunidades do conjunto. Na Favela da Fazendinha, em Inhaúma, ocorreu rápido confronto quando blindado do 16º BPM (Olaria) entrou no local e foi atacado a tiros por traficantes. Ninguém foi ferido nem preso.
Assim como na quarta-feira, colégios não funcionaram. Ficaram fechadas sete escolas — Mourão Filho, Guadalajara, Eva Saback, Afonso Várzea, Odilon de Andrade, Chile e Henrique Foréis — e a creche José Vieira. Com isso, cerca de 4.700 alunos ficaram sem aulas, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação. A Vila Olímpica Carlos Castilho, na Favela da Grota, em Ramos, também suspendeu suas atividades ontem.