Rio - ‘Coragem é um dom que Deus não dá a todos os homens’. A frase é do inspetor Leonardo da Silva Torres, 43 anos, 19 deles dedicados a ‘prender bandidos’. Filho de família classe média, ele trocou a vida de ir à praia todos os dias e tocar violão pelo fuzil.
Há cinco anos, integra a equipe da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), a mais combativa da Polícia Civil: “Nosso grupo é corajoso e prudente. Claro que existe o medo, pois sem medo você fica irracional. Mas a vocação esmaga o medo”, afirma o agente.
Casado, ele evita contar o dia-a-dia de tiroteios em casa. Mas admite que sua vida mudou em virtude da violência carioca: “Adoro fondue e tomar vinho com minha mulher no Alto da Boa Vista, mas não vou correr risco numa área abandonada como aquela”, admite.
Para ele, a roupa idêntica a usada pelos fuzileiros americanos que combatem no Iraque têm sentido: “Aqui é guerra, e temos de estar preparados para ela”. Já para o charuto que fumava no beco, onde quatro morreram em confronto com a polícia, a explicação é diferente: “Nós, da Drae, fazemos isso sempre. Virou marca. Estava fumando para relaxar depois de muito estresse”, diz.
Haja charuto. Só este ano, a Drae apreendeu sete metralhadoras ponto 30 (capaz de derrubar helicóptero), 40 armas (11 fuzis), 13 mil munições e cerca de 500 quilos de droga.
A delegacia também idealizou operações como a da Favela de Vigário Geral, há 40 dias. Dez bandidos acabaram presos, entre eles os chefões da venda de drogas. Já em dezembro de 2005, eles prenderam o traficante Robson Andrade da Silva, o Robinho Pinga, de Senador Camará. Agora, os homens do delegado Carlos Oliveira conseguiram tirar de circulação, com apoio da PM, o assaltante Gerinho: ‘É Drae ou Desce!’, avisa Oliveira.