Rio - Dezesseis dos 19 mortos durante megaoperação da polícia no Complexo do Alemão, dia 27, foram atingidos pelas costas, segundo os laudos cadavéricos do Instituto Médico-Legal. Do grupo, Paulo Eduardo dos Santos, 18 anos, José da Farias Júnior, 18, e Geraldo Batista Ribeiro, 41, foram alvejados na nuca. Cinco vítimas foram baleadas à curta distância.
Pablo Alves da Silva, 15 anos, foi o que recebeu a maior quantidade de tiros: nove — dois na cabeça, um no pescoço, um no tórax e um no braço direito, além de quatro pelas costas. David Souza de Lima, 14, foi atingido por cinco disparos pelas costas e Maxwell Vianna da Silva, 17 — que não tinha o braço esquerdo por problema congênito —, foi ferido cinco vezes no tórax e uma no braço esquerdo pelas costas.
Ontem, os 19 laudos cadavéricos foram entregues pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado estadual Alessandro Molon, ao subprocurador de Direitos Humanos, Leonardo Chaves, e à OAB-RJ. “Todos os homicídios serão investigados”, garantiu o subprocurador.
PERÍCIA INDEPENDENTE
Os laudos serão analisados ainda por três peritos contratados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. O grupo formulou 15 perguntas à polícia. Uma delas, sobre o croqui do local, ficará sem resposta, já que os corpos foram removidos da favela sem perícia. “Cada local deveria ter sido preservado”, criticou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, João Tancredo.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, acredita, no entanto, que os laudos não são suficientes para apontar execução. “Só o inquérito policial, que já foi instaurado”, disse. Em nota, a Polícia Civil criticou a divulgação dos laudos, alegando que pode atrapalhar as investigações e afirmando que ainda não há indícios de excesso na ação policial.
Ontem, houve confrontos no Alemão e na Vila Cruzeiro, Penha. Traficantes atacaram agentes da Força Nacional de Segurança (FNS) e policiais militares. PM foi ferido de raspão na Penha.