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7/7/2007 22:43:00

Escolas do Interior dão uma lição

Cidades mais pobres se destacam em provas do MEC com custo menor que o da rede estadual

Alex Martins e Maria Luisa Barros

Rio - Iniciativas simples do Interior estão fazendo a diferença na melhoria do ensino público fluminense. Com poucos recursos, cidades pobres do Estado do Rio implantam programas de leitura, oficinas de percussão, provas de avaliação, turmas de aceleração e incentivo ao professor.

É o caso das prefeituras de Miguel Pereira, Cordeiro, Bom Jardim e Santa Maria Madalena. As quatro conquistaram os primeiros lugares no ranking estadual do Prova Brasil, do Ministério da Educação, que mede o aprendizado em Português e Matemática.

A lição até agora não foi aprendida pela rede de ensino do estado, cujo resultado no Prova Brasil ficou abaixo da média das cidades — 238,13, em Matemática contra 247,31 no município. Levantamento de O DIA, com base nos números do Tesouro Nacional, revela que a rede estadual gasta, ao ano, R$ 6.502 por aluno. E tem um dos piores pisos do magistério: R$ 431 por 20 horas semanais.

“Estudos mostram que a gestão dos recursos é mais importante que a quantidade de dinheiro aplicada em educação”, afirma Naércio Menezes, especialista em avaliação educacional do Ibmec e da Universidade de São Paulo (USP).

A confirmação disso está em Miguel Pereira. Primeiro lugar no Prova Brasil entre os 92 municípios fluminenses, gasta R$ 1.899 por aluno no ano. O 2º lugar (8ª série) em Matemática ficou com Bom Jardim e o 2º em Português foi para Cordeiro, que tem a 12ª pior arrecadação no estado e investe R$ 2.678,29 por aluno. “No Interior as escolas são menores e a relação da comunidade é mais próxima. Esses fatores fazem diferença”, diz Francisco Tadeu Correia, coordenador de Avaliação da Secretaria Estadual de Educação.

Simulados e R$ 20 mil em livros

Em vez de esperar pelas avaliações do governo, os municípios de Cordeiro e Santa Maria Madalena saíram na frente e estão fazendo os seus próprios exames para conferir o nível de aprendizado dos alunos. A estratégia tem dado certo. Sem muitos recursos, os simulados, semelhantes ao Prova Brasil, permitem identificar e atacar rapidamente as deficiências de cada escola em particular.

Há duas semanas, a Secretaria de Educação de Cordeiro estreou a primeira fase da sua Olimpíada do Saber. “Só podemos melhorar se soubermos, por um diagnóstico, onde estão as carências”, afirma o secretário Joselito Cumiel das Chagas. O município, classificado em segundo lugar no ranking estadual do Prova Brasil na disciplina de Português, investiu R$ 20 mil em livros para implantar os projetos “Ler e Escrever” e “Reconto”, em escolas como a José Pinho de Carvalho, para incentivar a escrita e a leitura.

No município de Santa Maria Madalena, estudantes da 2ª a 8ª séries do Ensino Fundamental foram submetidos este ano a provas de Leitura e Matemática. O levantamento é tão específico que permite avaliar não só a escola, mais a classe com problemas. “Se uma turma da 4ª série está em dificuldade, alocamos recursos para lá. Como não podemos ter ensino integral em todas as escolas, montamos uma grade de horário para o grupo de alunos que precisa de aulas de reforço”, explica o secretário Marcelo Lima.

Abismo de qualidade entre vizinhos

Enquanto municípios vêm fazendo direito o dever de casa, o estado tem deixado a desejar. Em Miguel Pereira, o Ciep Brizolão 494 Alexandre Carvalho, no Parque Guararapes, onde atualmente estudam 500 alunos, é um retrato da educação pública brasileira. Segundo números do Prova Brasil, em 2005, sua taxa de distorção idade-série (diferença entre a idade do aluno e a série em que estuda) chegou a 62,5%, e a de abandono, 11,5%.

Na primeira colocada no ranking nacional, a Escola Municipal Governador Portela, não há evasão e só 10% dos alunos estão atrasados. Na mesma avaliação do Prova Brasil, o Ciep estadual obteve nota média abaixo do município: 228,01, em Português, contra 292,38 da escola Governador Portela. “Poderíamos dobrar número de alunos se tivéssemos mestres suficientes”, diz a diretora do Ciep, Raquel Ribeiro do Amaral.

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