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21/8/2007 01:39:00

Primeiro dia sob controle

Paralisação temporária em delegacias e presídios registra pequenas alterações nas rotinas

Rio - A greve dos agentes penitenciários não causou transtornos nos presídios. Visitas foram permitidas no Ary Franco, o único que tinha previsão de receber ontem parentes de presos. Os detentos puderam sair para o banho de sol. Nas delegacias, a Corregedoria da Polícia Civil manteve inspeções, mas não constatou irregularidades no primeiro dos três dias de paralisação. Nem todas as delegacias aderiram.

Na 21ª DP (Bonsucesso), o delegado Aldari Vianna decretou: “Quem não quiser trabalhar que vá embora”. Ele avisou que daria voz de prisão aos que incitassem a greve dentro da delegacia. Mas, em alguns casos, policiais pediram que pessoas voltassem outro dia para fazer registros de roubos.

Na 12ª DP (Hilário de Gouveia), 14ª DP (Leblon), 19ª DP (Tijuca) e 23ª DP (Méier), não houve operação-padrão dos policiais. Na 12ª DP, um casal registrou normalmente o sumiço de documentos e ainda depositou elogios em uma urna.

Na 14ª DP, o administrador de uma escola desativada, na Rua Barão de Jaguari, em Ipanema, que foi arrombada na madrugada de domingo, fez o registro normalmente. Foram roubados do local um forno microondas, uma geladeira e um aparelho de ar condicionado. Foi feito ainda registro de roubo de aparelho de celular na Lagoa Rodrigo de Freitas ocorrido no sábado.

Na 19ª DP, o delegado Walter Alves de Oliveira não deixou seus subordinados apoiarem a greve: “Todo mundo quer aumento, mas não é com baderna que vai se conseguir alguma coisa”. Na Delegacia do Méier, o delegado Luís Archimedes, também não apoiou a greve.

Em outros distritos policiais, como a 13ª DP (Nossa Senhora de Copacabana), houve adesão à paralisação. Na delegacia, havia um colete com os dizeres “Estamos em greve”. Um inspetor confirmou que registros tradicionais — como roubos de telefones celulares — não estavam sendo feitos. No fim da manhã, era muito pequeno o movimento no local.

Parte da população teria evitado delegacias

Na 22ª DP (Penha), colete também anunciava a greve. Estava pendurado próximo ao balcão. Lá, o movimento no fim da tarde era muito reduzido. Havia apenas um homem que pretendia registrar um caso de furto de automóvel, o que estava sendo feito. Policiais disseram que a repercussão da greve na imprensa estava afastando as vítimas das delegacias.

Na 17ª DP (São Cristóvão), os atendentes do balcão afirmaram que algumas pessoas vítimas de roubos comuns estiveram na delegacia, mas foram orientadas a voltar para casa porque as ocorrências nem mesmo estavam sendo feitas.

BAIXADA FLUMINENSE

Na Baixada Fluminense, foram registradas apenas ocorrências mais graves, como homicídios, encontro de corpos, roubos e furtos de veículos. A freqüência foi abaixo da média normal durante todo o dia. Para Cley Catão, delegado do Departamento de Polícia da Baixada (DPB), a ampla divulgação da greve pode ter feito com que um número menor de pessoas buscassem o atendimento nas delegacias.

“Parece que a população está sabendo da paralisação e, por isso, está evitando registrar situações menos urgentes”, disse o delegado. Na 52ª DP (Nova Iguaçu), até o fim da tarde de ontem, 26 pessoas procuraram a delegacia para relatar algum problema ou pedir informações, mas apenas cinco ocorrências foram registradas.

Expediente interno normal

Todas as delegacias da Baixada mantiveram o expediente interno normalmente e, em algumas, cartazes informando sobre a greve foram colocados na porta principal ou no balcão de atendimento. Algumas pessoas reclamaram. “Meu companheiro me agrediu e está com os meus filhos pequenos. Não posso registrar e estou tentando pedir ajuda. Ele está transtornado e, às vezes, me ameaça”, contou jovem de 23 anos, que preferiu não se identificar. Na tarde de ontem, ela foi à 54ª DP (Belford Roxo) na tentativa de registrar a ameaça.

O estudante Anderson Gomes de Araújo, 20, também não foi atendido. Ele esteve na 53ª DP (Mesquita) para registrar o extravio de documentos e foi orientado a voltar só na quinta-feira. “Perdi meus documentos na quarta. Como não foram encontrados, estou com medo de que alguém os use para dar um golpe. Mandaram eu voltar na quinta. Espero que ninguém suje meu nome”.




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