Dor e revolta em mais quatro enterros
Amigos prestam solidariedade às famílias de vítimas do acidente entre dois trens em Austin
Rio - A Baixada Fluminense prestou neste sábado homenagem a quatro das oito vítimas que morreram quinta-feira no choque de trens em Austin, Nova Iguaçu. Os enterros do estudante Renan Pedrosa, da doméstica Rosana Teófilo, do aposentado José Marcelino da Silva e do trabalhador autônomo Heleno Paiva foram marcados por demonstrações de dor e saudade somadas à revolta contra a Supervia.
Os irmãos Gustavo, 9 anos, e Rafael, 7, enfrentaram a dor da perda materna e o temor de guardar uma imagem “triste” da mãe. “Ela ficou desfigurada”, contou a irmã Célia Teófilo,54.
Célia se emocionou ao lembrar que a irmã deixou as ferragens com vida, nos braços de um amigo. A família procurou um laboratório especializado em reconstituição de corpos para melhorar a aparência de Rosana. O enterro custou R$ 3 mil. “A Supervia não pagou nada”, reclamou o sobrinho Vanderlei Caldas, 33.
Protestos também marcaram o enterro de Renan, 18 anos. Filho único do casal Gilson Moreira, 43, e de Maria Aparecida Pedrosa, 40, ele se formaria como técnico de manutenção industrial no fim do mês e já tinha emprego garantido. Os pais, que não tiveram condições emocionais de acompanhar a cerimônia, no Cemitério de Queimados, precisaram ser amparados por parentes e amigos. Gilson revoltou-se: “A Supervia matou o meu filho”.
SEM INFORMAÇÕES
A família de José Marcelino contou, durante o enterro no Cemitério de Engenheiro Pedreira, que soube da morte do aposentado ao ver um jornal no chão com a foto dele. Ninguém procurou a família para avisar da morte. Prima do aposentado, Marlene da Silva, 55 anos, afirmou que a Supervia não deu assistência à família e, se não fosse um plano funerário privado, eles não teriam condições de pagar o sepultamento. O autônomo Heleno, 22 anos, foi enterrado no Cemitério de Olinda, Nilópolis.
Por meio de sua assessoria, a Supervia alegou que as famílias arcaram com as despesas “por opção deles”, porque decidiram entrar na Justiça contra a empresa. Nesta segunda-feira, a Polícia Civil vai inspecionar o centro de controle da concessionária.
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