Rio - De volta ao Caju, após ficarem na mira de bandidos dentro de um trem, na manhã desta segunda-feira, os ministros Márcio Fortes, das Cidades, e Pedro Brito, dos Portos tentaram minimizar o atentado: “Sou carioca, ando em todas as favelas do Rio de Janeiro com a maior tranqüilidade. Nunca tinha passado por situação dessas, mas não tive medo. Estava tranqüilo na minha cadeira, somente na volta me sentei no chão”, contou Márcio Fortes. Ele confirmou que antes do embarque fora avisado pela polícia que o caminho era perigoso, mas que optou por seguir no trem.
O ministro dos Portos disse que não teve tempo de sentir medo. “Temos que estar sempre preparados para grandes surpresas. Isso não pode nos intimidar”, afirmou Brito, que não negou ter se deitado no momento dos disparos. “Foi uma medida de cautela. Nunca vivi situação como essa antes.”
Segundo a assessoria da MRS Logística, responsável pela ferrovia, 10 minutos antes da partida do trem, uma composição da empresa fez o trajeto para se certificar de que não haveria risco aos passageiros. Não havia policiamento no local.
Na linha de tiros
Dois ministros e um secretário estadual ficaram na mira de bandidos e tiveram que se jogar no chão, dentro de um trem, para se proteger de tiros disparados da Favela do Jacarezinho. Quando percorriam um trecho do acesso ferroviário ao Porto do Rio, Márcio Fortes e Pedro Brito, ao lado do secretário de Transportes, Júlio Lopes, experimentaram na pele o terror diário imposto aos cidadãos cariocas.
A composição foi alvo dos disparos por duas vezes. Quatro balas e uma pedrada atingiram os vagões, que são blindados. Ninguém se feriu. O incidente aconteceu logo após inauguração de um trecho da ferrovia. O governador Sérgio Cabral, que participou da solenidade, não embarcou no trem, que saiu do Caju às 10h30. A PM só foi avisada da programação ontem de manhã e, segundo o comandante da corporação, coronel Ubiratan Angelo, aconselhou autoridades a não seguir o trajeto.
No percurso de quatro quilômetros, o grupo passou pelas favelas do Complexo do Caju e Parque Arará antes de chegar ao Jacarezinho. Quatro homens armados com pistolas invadiram a via férrea, por onde também trafegam trens da Supervia, e atiraram contra os vagões onde estavam cerca de 70 pessoas, entre autoridades e jornalistas. Oito policiais do Batalhão de Policiamento Ferroviário e dois seguranças do governo do estado também faziam a viagem, mas não tiveram tempo de reagir ao primeiro ataque, de pelo menos quatro tiros. Houve pânico e os passageiros se jogaram no chão.
Depois do susto, o trem ficou parado por cerca de 10 minutos na altura de Maria da Graça. Em reunião a portas fechadas, autoridades e agentes de segurança decidiram retornar pelo mesmo caminho, já que a estação de cargas mais próxima era Rocha Sobrinho, em Mesquita, a 38 quilômetros dali.
“Fomos alertados pelo chefe da segurança da comitiva sobre os riscos que correríamos ao voltar pelo trajeto, mas o secretário Júlio Lopes contou que já tinha passado pelo local várias vezes e garantiu que não haveria problemas. Resolvemos seguir a programação original”, explicou o ministro Pedro Brito.
O trem voltou a 40 km/h, o dobro da velocidade de ida. A medida de precaução, no entanto, não evitou novo ataque. Dessa vez, policiais e seguranças revidaram e houve intensa troca de tiros.