Rio - O relatório da SuperVia aumentou a revolta dos diretores do Sindicato dos Ferroviários. Eles acusam a empresa de tentar esconder os problemas de manutenção e segurança da malha ferroviária atribuindo a culpa pelo acidente aos funcionários.
“Quarta-feira faremos assembléia para decidir as medidas a serem tomadas. Elas podem variar de operação-padrão, paralisação e até greve”, adiantou o diretor-jurídico, Alexandre Bruno.
Apesar da anunciada operação-padrão dos ferroviário, que segundo o sindicato poderia provocar demora de até três horas nas viagens, ontem os trens circularam sem atrasos significativos.
Responsável pela investigação do acidente, o delegado Fábio Pacífico, da 58ª DP (Posse), disse ontem que vai aguardar o resultado da perícia feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli, para concluir o caso.
Doze dias depois do acidente, 5 passageiros continuam internados. Já as negociações para o pagamento de indenizações às famílias e vítimas da tragédia já começaram. Segundo a SuperVia, 3 acordos já foram fechados, um com parentes de um dos passageiros mortos, e 2 com usuários feridos. “Já fizemos 40 reuniões e outras 40 estão agendadas até o dia 14”, informou o presidente.
SuperVia conclui que culpa de acidente é de maquinista e controlador
Relatório apresentado ontem pela SuperVia aponta falha humana como a causa do acidente entre dois trens da empresa que matou oito pessoas e deixou 101 feridas, dia 30, em Austin. De acordo com o presidente da SuperVia, Amin Murad, a tragédia foi provocada por uma seqüência de cinco erros. Dois teriam sido cometidos pelo operador Edson Assunção Filho, que estava no Centro de Controle Operacional. Os outros seriam de responsabilidade do maquinista Norival Ribeiro do Nascimento, que conduzia a composição em que viajavam 800 passageiros. “Não dá para apontar uma falha principal. Todas tiveram o mesmo peso no acidente. Se ao menos uma delas não tivesse ocorrido, o choque teria sido evitado”, explicou Amin.
Resultado de uma investigação feita por seis técnicos da SuperVia, o relatório atribuiu a primeira das cinco falhas a Edson. Segundo a comissão, o operador errou ao não impedir a saída do trem de passageiros da estação de Comendador Soares, última antes de Austin. A segunda teria sido cometida por Norival, que à polícia admitiu estar trafegando acima da velocidade máxima permitida, que é de 60 km/h. Apesar de na hora da batida estar a 36 km/h, ele trafegava a 76 km/h quando começou a acionar os freios.
O fato de o maquinista ter ignorado o alerta de redução de velocidade feito pelo segundo dos três sinais no trecho, que estava amarelo, seria a terceira falha. A quarta, imputada novamente a Edson, diz respeito ao fato de ele ter mantido a autorização dada ao maquinista que conduzia o trem de testes para mudar de linha, mesmo diante do perigo iminente.
SINAL VERMELHO
O quinto e último erro citado no relatório também foi confirmado por Norival em depoimento à polícia. Apesar de ter visto que o terceiro sinal estava vermelho, ele o ultrapassou, o que acabou culminando com o choque. Cópia do relatório foi encaminhada para a Agência Reguladora dos Transportes (Agetransp) e para a polícia.
A SuperVia informou que o futuro dos dois funcionários na empresa será decidido hoje, em reunião da diretoria da concessionária. A punição para eles pode ser até demissão por justa causa.