Rio - Está em tramitação na Câmara Municipal do Rio, o projeto de lei nº 1334/2007, de autoria do vereador Guaraná (PSDB), que proíbe os motoristas de ônibus receberem dinheiro de passageiros, quando estiverem exercendo, ao mesmo tempo, a função de cobrador nos coletivos. O objetivo da proposta é acabar com os riscos oferecidos aos passageiros e pedestres, pelos motoristas, que tem que dirigir e ao mesmo tempo receber o dinheiro da passagem.
No mês passado, um microônibus da Linha 734 (Rio das Pedras - Madureira), da Viação Futuro, atropelou cinco ciclistas que passavam pela Estrada de Jacarepaguá, esquina com a Rua Potiguar, na Zona Oeste . Três morreram e dois foram internados no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Testemunhas disseram que o acidente foi causado por uma distração do motorista do ônibus, que não tinha trocador, no momento em que entregava o troco a uma passageira.
A dupla função de motorista-cobrador começou a ser experimentada há quase três anos no Município. Estima-se que nove mil motoristas juniores estejam exercendo esta atividade nos microônibus em circulação - e com um salário 40% menor.
De acordo com dados da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, pelo menos 35 mil rodoviários ficaram desempregados no estado por conta da entrada dos microônibus. Na capital, o cálculo do Sindicato dos Rodoviários é entre seis e oito mil desempregados.
Com a aprovação da lei, fica proibido no âmbito municipal, os motoristas exercerem a função de cobrador. A empresa que desrespeitar a norma pagará multa de R$ 500,00, cada vez que for constatada a irregularidade.
Segundo o autor do projeto, a sociedade irá se beneficiar, pois haverá mais segurança para os usuários de ônibus e pedestres, além de fomentar a contratação de mão de obra. "Cabe, tão somente ao motorista, a preocupação de dirigir o veículo, sem desviar a atenção para outros problemas. Para isso é indispensável a presença do cobrador que deve estar presente em todos os ônibus", destacou Guaraná.