Rio - Algemado e com uma Bíblia debaixo do braço, o traficante Robinho Pinga foi apresentado à imprensa carioca às 10h30 de ontem, na Secretaria de Segurança. Segundo o secretário Marcelo Itagiba, a polícia investiga o material apreendido em São Paulo com o bandido: submetralhadora, pistola, documentos, computador portátil e seis celulares. Robinho tinha telefones diferentes para falar com a família, com fornecedores de drogas e de armas e com o interlocutor dele nas favelas.
De camisa social fechada até o último botão e nos punhos, Robinho manteve ar de deboche. Durante a apresentação, estufava o peito. De acordo com o delegado da Drae, Carlos Alberto Oliveira, cinco números de telefones do bandido foram grampeados durante um mês e 20 dias. “Alguns fornecedores dele já foram identificados”, garantiu, destacando que o bandido teria aberto empresas em São Paulo, entre elas uma marmoraria. A polícia acredita que Robinho mandava para o Rio 600 quilos de drogas por mês.
As duas casas do bandido em São Paulo – em Sorocaba e Itatiba – eram de classe média. Ele levava vida discreta, com nome falso de Eduardo, filhos em colégios e Corsa na garagem. Itagiba criticou seu estilo ‘religioso’. “Ele vende drogas, mata e aparece depois com a Bíblia”, disparou, ao lado do chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, do diretor das Delegacias Especializadas, Alan Turnowiski, e de Rodolpho Waldeck, da Inteligência da Polícia. Robinho passou a noite acordado na Polinter, lendo a Bíblia. Ao entrar na Blazer que o levaria ao Presídio de Bangu, disse: “Foi Deus quem quis assim. Vou para os braços de Deus.”