Rio - Olhar tranqüilo, camisa e calça sociais e a Bíblia nas mãos. Robinho Pinga chegou ao Rio dizendo-se convertido ao Evangelho há dois anos, através das pregações do Pastor Marcos Silva, da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias. A imagem do homem transformado pela religião, no entanto, contrasta com suas ordens, flagradas nas escutas telefônicas feitas pelos agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).
De Senador Camará, por exemplo, o traficante Claudinho Nonô presta contas sobre uma morte determinada pelo chefe. Mas as conversas com outro traficante, conhecido como Léo Macarrão, mostram todo o interesse de Robinho na guerra interna de sua facção, o Terceiro Comando Puro (TCP), pelo controle das bocas-de-fumo do Morro do Estado, em Niterói.
Em 14 de dezembro, na primeira conversa entre eles, Léo, criado na comunidade de Niterói e refugiado na Favela da Coréia, em Camará, conversou com Robinho minutos depois do primeiro ataque para tentar retomar o controle da favela, então sob as ordens do traficante Leandro Ferreira da Costa, o Bombom, de 24 anos.
Naquela noite, o grupo de Léo chegou a matar um rival, mas falhou na missão. O que o obrigou a praticamente implorar pelo perdão de Robinho durante a conversa: “...Vou voltar sem deixar a falha que deixei nessa... Brigadão pela moral. Agradecido legal pelo que você faz por mim. Tamo junto, só tenho a te agradecer.”
O novo ataque aconteceu por volta das 21h de sexta-feira, 16 de dezembro. O ‘bonde’ de Léo Macarrão, desta vez, conseguiu o objetivo traçado pelo bandido, com o aval de Robinho: dois homens morreram imediatamente e Bombom, com tiros de fuzil e as pernas quebradas depois de pular de uma ribanceira de 15 metros, foi internado em estado grave no Hospital Antônio Pedro, em Niterói, como o DIA mostrou dia 18. Na tarde seguinte, o chefe quer notícias da guerra: “Estourei a cara de dois e botei dois no CTI, inclusive o Bombom. Ficou gostosinho”, conta Macarrão.
Chefão ironiza gravidade do ferimento em rival
Robinho chega a profetizar a morte do rival: “Se pegou firme mesmo, não tem como escapar. Fica um diazinho, mas depois... Esse bagulho machuca muito”, diz ele, que no dia 21, em nova conversa, recebe a notícia da morte de Bombom. “Foi enterrado. Vinte pessoas no enterro”, ironiza Léo. Ao saber do sofrimento de Bombom enquanto não era socorrido, após levar os tiros e quebrar as pernas, Pinga mostra sua frieza sanguinária: “Pra ele foi até melhor.”
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