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06/07/2006 00:50:00

SOS: Souza Aguiar sitiado

Moradores de rua transformam pátio das ambulâncias em estacionamento, cobrando pela vaga, invadem sala de medicamentos para pegar remédios e se apropriam até de um banheiro

Pâmela Oliveira


Rio - Funcionários e pacientes do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, estão sendo ameaçados por moradores de rua que ocuparam o pátio interno de acesso à Emergência da unidade. O grupo transformou a área das ambulâncias em estacionamento e, liderados por homem identificado como ‘Malhado’, chega a cobrar R$ 2 pela vaga irregular. Amedrontados, os profissionais fazem relatos quase diários sobre brigas, pedidos de medicações, seringas e intimidações no livro de ocorrência da Emergência. “Toda a equipe está assustada, pois teme pela integridade física”, conta um enfermeiro num dos registros do medo.

“Eles fazem o que querem aqui. Ficamos com muito assustados. Semana passada, um entrou na sala de medicação e foi pegando algodão. Os médicos têm que fingir que não vêem porque ficam intimidados”, completa outro funcionário, que pediu para não ser identificado.

Durante o dia, quando a movimentação de carros é maior, é possível ver um dos moradores orientando os motoristas, reservando vagas com cones e cavaletes e recebendo pelo “estacionamento” irregular no pátio da unidade municipal. Como se estivessem em casa, os ocupantes fazem a barba. Outros assistem à televisão misturados aos pacientes que esperam atendimento sentados em bancos. A calçada também é ocupada por pessoas que marcam seus lugares com colchonetes e papelões enquanto ambulâncias e doentes passam.

SEXO E BRIGAS

“À noite é pior porque o hospital fica mais vazio. Eles chegam a interditar um dos dois banheiros destinado aos pacientes para que as mulheres do grupo lavem as roupas. Ninguém reage porque a segurança do hospital é muito limitada”, argumenta outra funcionária.

O grupo chega a reunir 50 pessoas em algumas noites, que ficam espalhadas pelo pátio do hospital. Há relatos de casais fazendo sexo nos colchonetes e brigas. Até os doentes que vão em busca de socorro são intimidados. “Ao anoitecer, grande número de moradores de rua se mistura aos pacientes que aguardam o atendimento, os quais sentem-se intimidados”, registrou um profissional da Emergência no livro, em março.

A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo hospital, afirma que já pediu apoio à 4ª DP (Central do Brasil) e ao 5º BPM (Praça da Harmonia), mas alega que moradores de rua voltam quando a polícia sai. Diz ainda que a Secretaria de Assistência Social já foi ao local, mas que o órgão não pode retirar os ocupantes à força. A Secretaria de Saúde afirma ainda que tem dificuldade para tirá-los dali porque eles se misturam aos pacientes e alegam estar em busca de atendimento.

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