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07/07/2006 01:40:00

Providência: plano para tomar o poder

Morro da Providência seria entregue a facção rival por integrantes da própria quadrilha local

Aluizio Freire e Christina Nascimento

Rio - Um plano para trair o chefe, Evanilson Marques da Silva, o Dão, e entregar os pontos de vendas de drogas do Morro da Providência, no Centro, para facção rival, a Amigos dos Amigos (ADA), foi o que condenou à morte Pablo Pierre Mendes do Amparo, executado na madrugada de sexta-feira. A favela é atualmente uma das mais bem armadas do grupo Comando Vermelho (CV).

Investigações do Serviço de Inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que monitorava o bando, revelam que Pablo queria se aliar a Edmilson Ferreira da Silva, o Sassá, preso em Bangu 1, e se associar aos traficantes Coelho, do Morro de São Carlos, no Estácio, e Isaías de Oliveira Cabral, o Borrofe, do Morro dos Macacos, em Vila Isabel.

O ‘consórcio’ transformaria a ADA, que já domina o tráfico na Rocinha — favela que mais vende drogas no Rio —, na facção mais poderosa do Rio. A Providência é o ‘quartel-general’ do CV, onde se reúnem os bandidos para invadir favelas rivais.

A ordem para matar Pablo, como O DIA noticiou com exclusividade na quarta-feira, partiu de Bangu 1, onde está preso Leonardo Marques da Silva, o Sapinho, irmão de Dão, que descobriu a traição e estava insatisfeito com as confusões de Pablo, que sempre atraía a polícia para a favela.

Após ser fuzilado, ele foi enforcado e jogado no Canal do Mangue, na Avenida Presidente Vargas, perto do Sambódromo, com outro bandido, ainda não identificado. Os dois corpos apareceram terça-feira. Pablo só pôde ser identificado porque sua mão ficou fechada, preservando as digitais. Dois outros traficantes ligados a Pablo também teriam sido mortos, mas os cadáveres ainda não foram achados. Mais seis teriam fugido do morro. O grupo forma lista de 10 nomes feita por Sapinho. Todos teriam participado da morte da estudante Priscila Belfort Vieira, em janeiro de 2004.

Os dois corpos estavam entre os 14 espalhados pelas ruas entre domingo e terça-feira. Os demais seriam resultado de disputa de poder no Morro de São Carlos. A polícia confirmou que Sérgio da Silva Fonseca, 26 anos, um dos mortos, era Gigante. Ele e William dos Santos, o Jogador, também morto, tramavam tomar o poder de, chefão do São Carlos que ordenou a chacina.

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