Bartolomeu Brito e Pamela Oliveira
Rio - O líder do grupo que ocupou o pátio interno do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, ameaçando funcionários, intimidando pacientes e cobrando estacionamento irregular foi preso ontem. Jorge Aleixo de Carvalho, 54 anos, conhecido como Malhado, agia livremente na unidade, mas era foragido da Justiça. Ele tem oito mandados de prisão expedidos e responde a processos por homicídio, agressão, furto, roubo a mão armada e receptação, além de ter cumprido pena de quatro anos por estar envolvido em fraudes no PIS. Com ele, outros três ‘invasores’ da unidade foram presos.
Identificados por testemunhas como “auxiliares” de Malhado, Paulo Cesar Luís da Silva, 45 anos, José Roberto Leite da Silva, de 35, e Waldir Joaquim Figueira, 30, foram autuados em flagrante, na 4ª DP (Central do Brasil). O delegado Emerson Franco Rocha indiciou os três por extorsão e formação de quadrilha.
A operação para prender os quatro falsos flanelinhas foi realizada por agentes do Serviço Reservado do 5º BPM (Praça da Harmonia) e policiais da 4ª DP (Central), após O DIA mostrar ontem o ‘estado de sítio’ em que está a maior emergência da América Latina.
BANHO NO HOSPITAL
Os policiais cumpriam ordens do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar, e do chefe de Polícia Civil, delegado Ricardo Hallack. Ontem, o prefeito Cesar Maia afirmou que a situação é preocupante. “Esse é um assunto que preocupa muito a prefeitura”, admite o prefeito, por e-mail. “Os vigilantes só tem alcance interno e a Guarda Municipal, em vários casos, não tem poder sobre delinqüentes. A Guarda está tratando disso com a PM e com a Secretaria de Saúde”.
Quando a ação policial começou, por volta das 9h30, dezenas de pessoas que estavam deitadas na calçada do hospital levantaram correndo e fugiram com seus pertences. No momento da prisão, Malhado tomava banho num dos banheiros destinados a pacientes atendidos na Emergência. Ele não reagiu. Mas, assim como os presos, afirmou ser inocente. “Lavo carros para os médicos e funcionários e ganho R$ 5 em cada. Não ameacei ninguém. Dormia no pátio do hospital porque não tenho onde morar”, afirma Malhado. Um dos presos alegou estar desempregado e que fazia curativos nos pacientes. A polícia, no entanto, afirma que ele mora na Favela da Grota, no Complexo do Alemão. Os quatro foram transferidos para a Polinter.
Ontem, funcionários do hospital estavam mais tranqüilos. “Ele (Malhado) fazia o que queria aqui. Já ameaçou uma colega que se recusou a dar ampolas de dipirona (analgésico). Tenho tanto medo que, nos fins de semana, pago um colega para fazer meus plantões”, conta uma funcionária. “Já vi acompanhante de paciente voltar com lanche e ser obrigada a dar a comida para um dos moradores de rua que ocuparam o pátio”.