Rio - Primeiro e por enquanto único detento da Penitenciária Federal de Catanduvas, Interior do Paraná, o megatraficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, é o preso mais caro do Brasil. Ainda não existe uma previsão de quanto a unidade vai custar aos cofres públicos, mas uma estimativa, feita com base somente nas despesas com salários de agentes penitenciários, indica que a diária do bandidão na cadeia sai por R$ 38,3 mil. Um valor mínimo, já que não estão incluídos outros gastos, como os referentes à manutenção do presídio e à alimentação de Beira-Mar.
A prisão de segurança máxima é destinada aos criminosos mais perigosos do Brasil e foi inaugurada em 23 de junho. Beira-Mar estreou a penitenciária na madrugada do dia 19, quando foi transferido da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estava desde 24 de março. Desde então, mais nenhum bandido foi levado para lá, o que deixa o título de presidiário mais caro do País só para Beira-Mar.
Embora ainda não tenha chegado à média de gastos com a cadeia — cuja construção custou R$ 22 milhões —, o Departamento Penitenciário (Depen), órgão do Ministério da Justiça, admite que o valor será bem superior ao dos demais presídios. A constatação do Depen é comprovada pelo cálculo baseado no salário dos agentes penitenciários. Duzentos e cinqüenta agentes vão trabalhar em Catanduvas, mas, por enquanto, apenas 164 estão em ação.
MUITO ACIMA DA MÉDIA
Cada agente recebe mensalmente cerca de R$ 7 mil, que, multiplicados pelos 164, atingem R$ 1,14 milhão. Portanto, o gasto diário com Beira-Mar é de R$ 38,3 mil, computando-se apenas o salário dos agentes encarregados de sua custódia. Quando o quadro dos 250 estiver completo, vai absorver R$ 1,75 milhão por mês ou R$ 58,3 mil por dia.
Os valores são absurdos se comparados, por exemplo, aos gastos com os presos de outras unidades. Segundo o Depen, em dezembro, havia 361.402 detentos em todo o País, a um custo médio mensal de entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil cada um. No caso da precária cadeia de Catanduvas, que abriga 22 presos, a diferença é ainda maior: a unidade consome mensalmente R$ 3,9 mil.
A Penitenciária de Catanduvas — a primeira de uma série de cinco que devem ser inauguradas pelo governo federal — tem 208 vagas. Os governos de nove estados já pediram ao Ministério da Justiça para transferir detentos para lá. Se todas as solicitações forem aceitas, serão ocupadas 120 vagas.
Beira-Mar foi transferido numa operação altamente sigilosa. Tão sigilosa que os moradores da cidade só souberam que ele estava em Catanduvas pelo noticiário da TV. Na unidade, o traficante ocupa cela de sete metros quadrados. Para chegar até o cubículo, além de ter cruzado 17 portões de ferro, precisou usar capuz. Dessa maneira, foi impedido de saber direito a localização da cela.
Ordens de dentro da sede da PF
De dentro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Fernandinho Beira-Mar comandava pelo telefone celular a rearticulação de sua estrutura no Paraguai. A descoberta do esquema provocou a transferência do bandido para Catanduvas. Segundo a PF, a prisão de Marcelinho Niterói e também de Saulo de Oliveira — outro ‘matuto’ influente na quadrilha — é um duro golpe para o bando.
“Até ser preso pela primeira vez em 2000, quando foi extraditado, Marcelinho era o contador da quadrilha. Movimentava toda o dinheiro do Beira-Mar”, explicou o delegado Vitor Santos, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF. Dos presos, apenas Saulo tinha mandado de prisão expedido no Brasil. Como O DIA noticiou domingo, a rearticulação do bando é investigada há quatro meses pelas polícias Civil, Federal e Nacional do Paraguai. Leomar de Oliveira Barbosa, o Leozinho da Vila Ipiranga, e Jayme Amato Filho, são comparsas importantes de Beira-Mar ainda à solta.