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5/8/2006 00:41:00

Menor participou do crime

Adolescente de 17 anos e dois homens já foram identificados como integrantes do grupo que matou Mello Porto na Av. Brasil. Sete tiros atingiram a cabeça da vítima, que estava armada

Rio - Um adolescente de 17 anos foi um dos bandidos que, segundo a polícia, assassinaram o desembargador José Maria do Mello Porto, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), quinta-feira à noite, na Avenida Brasil, altura do Caju. O menor, que foi baleado no pé direito na ação, e mais dois homens foram identificados ontem como integrantes do bando que participou do ataque. Mello Porto foi morto com sete tiros — todos atravessaram sua cabeça — por pelo menos sete homens armados, que, divididos em dois carros, fecharam o Audi A3 em que ele voltava para casa, na Barra da Tijuca, de carona com o procurador federal aposentado Teixeira Neto.

Os três criminosos identificados são da Favela Parque Alegria, no Caju, e possuem passagens pela polícia por roubo e tráfico. O procurador contou que, quando o Audi foi fechado por outro veículo, desceram três homens. Um deles foi em sua direção e os outros abordaram Mello Porto, ordenando que deixassem o carro. O desembargador sacou sua pistola 380, engatilhou e saiu gritando: “Eu sou o juiz Mello Porto! Eu sou juiz Mello Porto!”. Os bandidos atiraram e o desembargador reagiu, segundo seu amigo.

DIGITAIS AJUDAM PERÍCIA

Logo atrás, mais quatro bandidos saltaram de um carro, que seria uma Parati. Com o cabo de arma longa (fuzil ou metralhadora), um deles quebrou o vidro de veículo ao lado. “O bando roubou os pertences do motorista”, contou o procurador, que disse não ter condições de reconhecer os bandidos e os veículos. Na 17ª DP (São Cristóvão), testemunhas identificaram por foto dois dos três suspeitos. A quadrilha teria fugido para uma outra favela controlada pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que também domina o tráfico de drogas no Caju.

Policiais que investigam o caso informaram que as digitais recolhidas no local da crime e no Audi foram determinantes para a identificação de dois dos três suspeitos. Teixeira Neto contou ter se preocupado, logo após o crime, em não apagar a pista. “O veículo está cheio de digitais. Um dos bandidos tentou arrombar a minha porta. E outros também colocaram as mãos sobre o carro. Não deixei ninguém chegar perto do carro para facilitar o trabalho da perícia.”

Das sete balas que atravessaram a cabeça de Mello Porto, seis entraram pela parte de trás do crânio. Dessas, três saíram perto do olho direito, uma do lado esquerdo do rosto e duas pelo queixo. Outro tiro entrou pela maçã do rosto do lado esquerdo e saiu por trás. Nenhum fragmento foi encontrado pela polícia no chão.

Ontem, equipes da 17ª DP realizaram diversas operações nas favelas do Complexo do Caju. Em uma delas, no Parque Boa Esperança, agentes apreenderam dois Astras usados na ação. Em um deles, peritos do Instituto Félix Pacheco (IFP) acharam marcas de sangue no banco do carona, que seriam do menor baleado. De acordo com os investigadores, um farmacêutico morador do Parque Alegria teria cuidado do ferimento.

De manhã, policiais do 22º BPM (Maré) prenderam, na Vila dos Pinheiros, Complexo da Maré, Adilson Gomes de Almeida, 27 anos, o Romarinho. Segundo denúncia anônima para o batalhão, ele teria participado do ataque. Na casa do bandido, foram apreendidas uma pistola Uzi 9 milímetros, 98 cartuchos de pistola ponto 40, 85 sacolés de cocaína, um radiotransmissor e um celular. No trajeto até a 21ª DP (Bonsucesso), Romarinho — que seria um dos líderes do tráfico da favela, também controlada pela ADA — disse a policiais que não foi o seu ‘bonde’ que participou da ação que resultou na morte do desembargador.

Operação logo após o crime

A primeira operação no Parque Alegria foi feita poucas horas depois do crime, no início da madrugada de ontem. E foi montada após o procurador reconhecer, por foto, um dos acusados de matar o desembargador como integrante da quadrilha da favela. Comandados pelo subchefe de Polícia Civil, José Renato Torres, 50 agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais, Delegacia de Homicídios e 17ª DP vasculharam o local. Suspeito foi detido e liberado. Quando os policiais chegaram lá, caminhão de cerveja estava tombado na pista central da Avenida Brasil, sentido Centro. Parte dos agentes ajudou PMs a impedir que toda a carga fosse saqueada.

AMIGO RELATA QUE MELLO PORTO ENGATILHOU A PISTOLA E ATIROU

Revoltado com a morte do desembargador José Maria de Mello Porto, o procurador Teixeira Neto, aposentado do Ministério Público Federal, que viu o amigo ser assassinado, abriu ontem fogo contra a falta de segurança na cidade. “Foi assalto com certeza. Enquanto os administradores não tomarem vergonha na cara e botarem para quebrar em cima dessa gente, nós vamos continuar vendo essas covardias acontecerem”, disparou.
Teixeira Neto fez um passo-a-passo sobre os últimos minutos do amigo. “O Mello Porto sempre dizia que se fosse ser assaltado reagiria. Foi o que ele fez. Ele foi um herói. Morreu com a arma na mão cercado por seis bandidos covardes”, desabafou.

O procurador fez questão de acompanhar o velório e o enterro. Inconformado com o fato de Mello Porto ser tratado como figura polêmica, foi taxativo. “A imprensa faz questão de lembrar coisas do passado e não procurou colocar o que ocorreu. Tiraram a vida de um homem de bem”, declarou.

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