Rio - Operação do 16º BPM (Olaria) no Complexo do Alemão resultou, ontem de manhã, na morte de Roberto de Souza Ferreira, o Betão, 27 anos, irmão do chefão das bocas-de-fumo da comunidade, Antônio de Souza Ferreira, o Tota. Durante a incursão, também morreu o gerente do tráfico no Morro da Fazendinha, Márcio dos Santos, o Kengão, 28. Por ordem de Tota, parte do comércio foi obrigado a fechar.
O objetivo da ação era retirar os trilhos colocados pelos bandidos no meio das ruas, impedindo operações policiais, principalmente dos veículos blindados. Quando os PMs removiam uma barreira na Rua Joaquim de Queiroz, na Favela da Grota, grupo de pelo menos 10 traficantes começou a atirar. Em vez de tentarem fugir por uma das vielas, Betão e Kengão, que estavam em uma moto Titan, resolveram tentar passar pelo blindado, dando tiros de pistola.
Os policiais reagiram e os dois bandidos caíram da motocicleta. Mesmo baleado na perna, Kengão correu, mas foi alcançado. Os traficantes foram levados em um blindado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas morreram no caminho. Com eles, foi apreendida uma mochila com 200 papelotes de cocaína, 150 trouxinhas de maconha, uma pistola Glock e um revólver calibre 38.
CONTRA MANIFESTAÇÕES
A notícia das mortes dos criminosos se espalhou rapidamente. Dois homens passaram de moto pelas ruas do Complexo do Alemão ordenando que comerciantes fechassem suas lojas em sinal de luto. O comandante do 16º BPM, coronel José Luiz Nepomuceno, determinou a ocupação dos acessos às favelas para evitar manifestações violentas. A polícia recebeu informações de que bandidos haviam comprado gasolina para promover atos de vandalismo.
A operação começou às 10h30 e contou com o apoio dos dois blindados, do 16º BPM e do 22º BPM (Maré), que na terça-feira ficaram parados com problemas mecânicos na Nova Brasília.
Reforço da PM em Niterói
Depois da morte de Betão, o comandante do 12º BPM (Niterói), tenente-coronel Marcus Jardim Gonçalves, também mandou reforçar o policiamento nas áreas onde há favelas dominadas pelo Comando Vermelho. Só no Complexo do Caramujo, onde 12 favelas são comandadas por Tota, 50 homens ficarão de prontidão. “Estamos também monitorando outras comunidades, como Vila Ipiranga e Buraco do Boi”, explicou o coronel.
Apesar da garantia de segurança dada pela PM, alguns comerciantes também fecharam as portas mais cedo. Até o início da noite de ontem, 10 motos irregulares foram apreendidas nas saídas das favelas.