Rio - O menino Miguel de Almeida, 2 anos, foi salvo do ataque de uma jararaca de cerca de dois metros, na tarde de sexta-feira, pelo cão da família, Brutus, quando brincava no quintal de casa, em Santa Teresa. O cão, 8 anos, foi picado pela cobra, mas recebeu dose de soro antiofídico. De acordo com o veterinário José Maria Gonzalez, que atende os animais da família, Brutus deve se recuperar.
Ele disse que, se o ataque fosse de uma cobra coral, o cão teria morrido na hora, pois a ação do veneno é muito mais rápida e ataca o sistema nervoso central. Além do soro antiofídico, Brutus recebeu dose de vitamina K, para evitar hemorragias.
A mãe da criança, a dona-de-casa Flávia Lemos Pereira de Almeida, 36 anos, estava na parte da frente da residência quando ouviu o grito de Miguel e muitos latidos. Quando chegou, a cobra estava em posição de ataque, pronta para dar o bote na criança. Imediatamente Brutus, mistura de rotweiller com pastor alemão, pulou em cima da jararaca. Mordida, a cobra avançou sobre o cão, que acabou picado acima do olho direito.
RÉPTIL FOI SOLTO
A família mora há 10 anos no terreno, na Rua Almirante Alexandrino, ao pé da Floresta da Tijuca, e está acostumada a receber visitas de vários animais. Mas, segundo Flávia, é a primeira vez que apareceu uma cobra.
"O Brutus ataca todo animal da floresta que aparece por aqui e de vez em quando precisamos chamar o veterinário para tratar de algum ferimento. O mais grave até agora tinha sido uma briga com um ouriço-caxeiro, da qual ele saiu cheio de espinhos", lembra ela.
Ao ver o cão mordido, Flávia pediu ajuda ao Grupamento de Defesa Ambiental (GDA) da Guarda Municipal, que fica próximo ao imóvel. Os guardas foram os primeiros a chegar à casa da família e capturaram o réptil, solto depois, no Sumaré, por bombeiros de Santa Teresa.
O Corpo de Bombeiros capturou este ano 686 cobras, a maioria jibóias, muitas em residências. Em seis anos, o GDA encontrou quatro jararacas e três jibóias. A maioria das ocorrências é no Alto da Boa Vista, Santa Teresa e Sumaré.
‘ELE DEU A VIDA POR MEU FILHO’
"Graças a Deus e ao Brutus, meu filho não foi picado por aquela cobra. Ele se arriscou para evitar que Miguel fosse atacado. Ele deu a vida por meu filho. Tenho certeza de que só foi pra cima da jararaca quando percebeu que ela poderia morder Miguel. Fiquei desesperada quando soube que os bombeiros não tinham o soro, mas conseguimos medicá-lo."
Flávia Lemos de Almeida, Dona-de-casa