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19/8/2006 18:54:00

Arsenal do terror do tráfico

Armamento de guerra apreendido no Paraguai, fronteira com o Brasil, seguiria para homens do PCC, em São Paulo, e do CV, no Rio

RIO - Arsenal de guerra com 238 armas apreendido pela polícia do Paraguai dia 12, na cidade de Pedro Juan Caballero, perto da fronteira com o Brasil, tinha como destino São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Nacional Antidrogas daquele país. A Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor) da Polícia Federal (PF) do Brasil, que investiga o caso, tem fortes indícios de que o carregamento foi negociado pelo megatraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Através de escutas telefônicas, agentes federais descobriram que Beira-Mar, de dentro de cela da PF em Brasília, negociou envio de armas para o Brasil dias antes de ser transferido para o presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, Paraná, no fim de julho. Beira-Mar tem ligações com as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e Comando Vermelho (CV), do Rio.

“As evidências são muitas e fortes, mas precisamos de mais provas para vincular Beira-Mar a este carregamento. A apreensão evitou o aumento da tensão e de possível sofrimento para cariocas e paulistanos”, destacou o delegado Vantuil Cordeiro, chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico de Armas da PF. O arsenal tem 228 pistolas, uma metralhadora antiaérea, duas submetralhadoras, sete fuzis, oito silenciadores, 120 carregadores e mais de 50 caixas de munição calibre 9 mm. A polícia paraguaia o interceptou momentos antes de cruzar a fronteira com o Brasil numa caminhonete com placa de São Paulo. O material é avaliado em R$ 3 milhões.

Dia 23, O DIA noticiou que as polícias Civil e Federal do Rio e a Polícia Nacional do Paraguai investigam a rearticulação da quadrilha de Beira-Mar na fronteira do Brasil com o Paraguai. O grupo — formado por homens do PCC e do CV — teria como objetivo enviar drogas ao Brasil. Um dos investigados por suspeita de operar o esquema é Marcelo Leandro da Silva, o Marcelinho Niterói, sobrinho de Beira-Mar. Ele tinha sido preso há 25 dias em Pedro Juan Caballero. Na quinta-feira, após concordar em pagar uma fiança de 75 milhões de guaranis (moeda local), foi expulso do país e levado para Ponta Porã, no Mato Grosso, onde teve de ser liberado pela PF, pois ainda não há mandado de prisão contra ele.

Os outros investigados são Leomar de Oliveira Barbosa, o Leozinho da Vila Ipiranga, Jayme Amato Filho; e Ubiratã Breskovitt, o Cheiroso, também preso pelos paraguaios no dia 8.

Agentes da polícia do Paraguai informaram que pistolas do mesmo lote das apreendidas no carregamento foram encontradas durante a prisão de Marcelinho Niterói. Para o delegado titular da Delegacia de Repressão a Armas Explosivos do Rio, Carlos Oliveira, o arsenal é típico de narcotraficantes. “A entrada das armas no País, associada à crueldade dos criminosos, seria desastrosa,” avaliou.

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