Rio - Após a morte de Irapuan David Lopes, em outubro de 2004, o Complexo de São Carlos, dominado pela facção Amigos dos Amigos (ADA), passou por momentos de transição. Na primeira fase, seu substituto imediato, Gílson Ramos da Silva, o Aritana, fez do estilo de vida fanfarrão sua marca registrada. Abrigava perigosos assaltantes, promovia bailes regados a cocaína e uísque e desfilava para cima e para baixo em possantes motos.
Morto há cinco meses, foi substituído por um homem frio e cruel — Anderson Rosa da Silva, o Coelho, que tenta fazer de suas bocas-de-fumo uma empresa na qual qualquer deslize é pago com a vida. Desde então, o bandido não se furta de demonstrar sua veia sanguinária.
Em julho, após descobrir plano de suposta traição interna, Coelho determinou a execução de oito homens que haviam se escondido no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Um telefonema para o chefe de lá, conhecido como LG, também da ADA, foi suficiente para sentenciar o grupo à morte.
Na manhã seguinte, após serem apanhados dentro de casa e passarem por sessão de tortura, seus corpos foram abandonados dentro de dois carros na esquina das ruas Grão Pará e Porto Alegre, no Engenho Novo.
Protestos proibidos em favelas
A Polícia Civil investiga se um dos mortos na guerra interna seria José Alexandre dos Santos, o Xandão, um dos maiores ladrões de residência do Rio e ex-parceiro de Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, morto em setembro de 2005.
Coelho, conhecido por atitudes intempestivas, proibiu qualquer manifestação violenta dentro do complexo que comanda — São Carlos, Zinco e Querosene. Mulheres que se metem em confusão têm a cabeça raspada. Homens, quando não têm de lutar entre si, são espancados por bandidos.
Uma das ordens de Coelho foi a de impedir que ‘bondes’ fossem a ruas do Estácio, Rio Comprido e Tijuca para roubar carros. “Com isso, ele queria voltar a atrair viciados à favela”, explica um policial civil.
Coelho também esteve por trás de outros crimes sangrentos. Há duas semanas, bandidos do Querosene desceram o morro espancando e arrastando a jovem Josiane Alves. Armados com fuzis, eles atravessaram a Rua Itapiru, às 8h50, e fuzilaram a moça na frente de um taxista, que teve de levar o corpo até a porta da 6ª DP (Cidade Nova).