Rio - Quatro pessoas foram baleadas no Centro, pela manhã, por dois ladrões perseguidos por policiais militares. A dupla rendeu um oficial de cartório que ia ao banco, na Avenida Almirante Barroso. Ele, porém, se atracou com os criminosos, que o balearam no pé. O disparo chamou a atenção da polícia, que foi atrás dos bandidos, que usaram moto para fugir. No trajeto até o Morro da Providência — onde acabaram presos —, eles feriram um auxiliar de serviços prediais, um recruta da PM e uma dona-de-casa.
Marcelo da Conceição Santos, 24 anos, e um adolescente de 17 foram reconhecidos por testemunhas como a dupla de assaltantes e autuados por tentativas de roubo e homicídio, além de lesão corporal culposa.
O oficial contou em depoimento que saía do cartório para fazer depósito numa agência bancária quando os bandidos se aproximaram, colocando pistolas em sua barriga e na cabeça. “Eles chegaram pedindo o dinheiro, que estava guardado numa bolsa presa à perna da vítima. Provavelmente, já sabiam de tudo”, disse um PM, informando que a quantia era de quase R$ 43 mil.
Ao ouvirem o disparo que atingiu a vítima, policiais do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) e da ronda bancária do 13º BPM (Centro) correram para o local. A dupla atirou pelo menos 12 vezes contra os policias. Um dos tiros atingiu a perna do auxiliar de serviços prediais Rogério Luiz da Conceição, 34 anos, que se escondia atrás da coluna de um edifício. “Ajudei os bombeiros a socorrer o ferido, que ia para o trabalho e me pediu para ligar para a empresa”, contou o ambulante Marcelo Bonan. A banca de jornais em frente ao banco chegou a ser alvejada. “Os pedestres se jogavam aqui e choravam. Foi um desespero”, disse o jornaleiro Salvador Perrota, 65.
BLITZES FURADAS
Marcelo e o menor pegaram a moto LBV 3121 na Rua Debret e fugiram pela Rua Primeiro de Março. Na fuga, o capacete do menor caiu, ele pegou duas pistolas — uma calibre 380 e outra nove milímetros — e atirou nos policiais. Na Avenida Presidente Vargas, os bandidos furaram dois cercos montados na altura do Campo de Santana e da Central do Brasil.
Pela contramão, os ladrões atravessaram a avenida e pegaram a Rua Rivadávia Correia, onde trocaram tiros com a PM. O recruta Carlos Alexandre da Rocha Silva, 24 anos, estava desarmado, perto da cabine policial, e foi ferido na perna direita. A dona-de-casa Maria do Carmo Marinho da Silva, 56, descia de ônibus no local quando foi atingida no braço e peito. As vítimas foram operadas no Hospital Souza Aguiar e passam bem.
Ousadia dentro da patrulha
Dentro da patrulha que o levaria para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), onde o caso foi registrado, Marcelo deu uma demonstração de ousadia: algemado, usou a boca para discar número em seu telefone celular. Abaixado, falou com uma pessoa, sem se incomodar com a presença dos policiais. Ele foi levado para a Polinter, na Praça Mauá, enquanto o menor foi encaminhado para a 2ª Vara da Infância e da Juventude, Centro.
Marcelo cumpria liberdade condicional e responde a inquéritos por receptação e tráfico. O adolescente nunca havia sido autuado. A dupla disse que mora no Morro da Providência. Lá, eles tiraram uma das duas blusas e bermudas que usavam para despistar a polícia. As armas que usaram no crime também foram abandonadas e a PM fez incursões no morro e na casa dos acusados para tentar localizar as pistolas. A moto utilizada na fuga está em nome de Marcelo e o capacete que o menor deixou cair foi encontrado por uma pedestre.
Policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) informaram que a dupla costumava praticar assaltos na região. Cápsulas de calibre 380 foram recolhidas na Avenida Almirante Barroso e na Central, onde policiais contaram cerca de 14 disparos.