Rio - Em um intervalo de quatro horas, Renato Carneiro Esteves, de 20 anos, foi preso duas vezes pelo cabo Altamir Gomes Caldas Filho, do 19º BPM (Copacabana), domingo à noite, em Copacabana. A primeira parada foi na 12ª DP (Copacabana), onde foi autuado por porte de arma branca (uma faca), na lei de contravenção penal. Liberado, voltou para as ruas do bairro e assaltou dois turistas americanos.
Por volta das 20h30, Renato estava na areia da praia com Lady Daiane Cortage dos Santos, 21 anos, no Posto 2. Ao perceber a chegada do quadriciclo da PM, entregou faca de cozinha a Lady, que escondeu a arma dentro da roupa. Na delegacia, deu nome falso de Rafael da Silva de Souza, disse que era morador de rua, analfabeto, tinha 18 anos e que a faca servia para cortar laranjas.
O registro de ocorrência foi encerrado às 22h. Após se comprometer a se apresentar ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), Renato foi solto. Lady Daiane também foi autuada e liberada.
ROUBO A TURISTAS
O cabo Altamir seguia para casa, pouco depois da meia-noite, quando viu Renato sendo perseguido por dois estrangeiros na Avenida Atlântica, esquina com a Rua Xavier da Silveira. Ao ser pego, o ladrão disse ao PM: “Agora não tem jeito”. Ele havia furtado celular e R$ 35 dos americanos Gerard Leonard Mercer, 51 anos, e Michael Berdad Moffett, 41. Na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), Renato se apresentou com o nome verdadeiro.
A delegada Cristiane afirmou ter suspeitado da falsa identidade e encaminhou as impressões digitais de Renato ao Instituto Félix Pacheco (IFP). A resposta assinada pelo papiloscopista dava conta de que aquelas digitais não constavam no banco de dados do órgão.
Cinco passagens pela polícia
Se a farsa fosse descoberta, seria possível consultar a ficha de Renato, que já fora apreendido cinco vezes na adolescência e cumpriu cinco anos e quatro meses de pena por roubo, ameaça, lesão corporal, tráfico de drogas e associação para o tráfico, além de falta de pagamento de pensão alimentícia. No Serviço Reservado do 19º BPM, foto de Renato aparece no cadastro de suspeitos de assaltos na praia.
O diretor do IFP, Hermann Vianna, disse que a identidade não foi localizada porque as digitais de Renato estão no sistema do Detran, onde a busca é feita por nomes. Seria possível digitalizar as impressões de Renato para confrontá-las com as do Detran, mas a resposta demoraria até 48 horas.