Rio - Greve de 48 horas iniciada por servidores do INSS deixou sem atendimento centenas de segurados. O protesto é contra prisões de funcionários públicos pela Polícia Federal, sob suspeita de fraudes na Previdência. O sindicato da categoria (Sindsprev-RJ) acusa autoridades de agirem de forma “arbitrária e autoritária”, sem que os envolvidos tenham chance de ampla defesa.
O INSS informou que 13 agências fecharam, 24 funcionaram parcialmente e 54 abriram. Entre as reivindicações dos servidores estão mais segurança nos sistemas e na concessão de senhas para servidores acessarem computadores (que hoje são do conhecimento de mais de uma pessoa).
“Sabemos que há fraudadores, mas do jeito que a operação policial é feita, o fraudador pode se safar e o inocente pode pagar por acessar dados falsos inseridos no sistema”, disse Janira Rocha, dirigente sindical.
O sindicato defende auditoria também na Caixa, que alimenta o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) com dados sobre trabalhadores. Enquanto isso, o segurado pena. Sueli Marques, 60 anos, foi ao INSS da Praça da Bandeira corrigir a data de nascimento. Após duas tentativas frustradas, se deparou com a greve, que a deixou transtornada.
Para Ministério Público, existem provas reais
Dos 60 presos na Operação Anos Dourados, realizada no último dia 19, foram denunciadas 10 pessoas que supostamente integravam a cúpula do esquema de fraude. Quatro denunciados são servidores do INSS (de um total de 41 funcionários presos), três trabalham em escritório de contabilidade e um é advogado. José Carlos Barcelos, articulador do grupo, também foi denunciado.
O Ministério Público Federal, a quem cabe oferecer denúncias, se defende das acusações dos servidores. “Somente foi requerida a prisão de pessoas que atuaram na concessão de 5 ou mais aposentadorias, ou daqueles casos em que havia outros elementos — como interceptações telefônicas — que comprovam a participação ativa ou auxílio à organização criminosa”, disse, em nota, o procurador Jessé Ambrósio dos Santos Junior.
O INSS não quis se manisfestar sobre o assunto, que corre em segredo de Justiça, mas admite estudar sistema mais seguro para concessão de senhas a servidores.