Rio - O drama vivido pela técnica de enfermagem Cristina Ribeiro, 37 anos, sexta-feira, a bordo do 499 (Cabuçu-Central) começou pelo menos uma hora antes. Por volta das 7h, seu ex-marido, o biscateiro André Luiz Ribeiro, 38, já a esperava dentro de outro ônibus, em Austin, em Nova Iguaçu, o primeiro dos três que ela toma diariamente para chegar ao trabalho, no centro dessa cidade.
Sábado, Cristina falou sobre as 10 horas de horror sob a mira de um revólver junto com passageiros da linha: "Ele puxava bastante meu cabelo, me enforcava, sentava no meu colo para eu não levantar, botava a arma na minha cabeça e dizia que eu não merecia estar viva. Ele nunca foi traído".
No primeiro ônibus, onde André surpreendeu a ex-mulher, ele desferiu uma coronhada em seu queixo, fissurando o maxilar dela. Segundo a irmã de Cristina, Regina Ribeiro, 38, um passageiro que a conhecia avisou a polícia. O casal desceu do ônibus, embarcou em outro, no qual ficou pouco tempo. Depois, entraram no 499.
A mãe de Cristina, Eunícia Ribeiro dos Santos, 62, revelou que André também ameaçou matá-la caso a filha o deixasse. Sábado, irmãos de André tentaram visitá-lo na 52ª DP (Nova Iguaçu), onde está preso.
Vítima já tinha sofrido 2 seqüestros
Regina conta que André já havia seqüestrado a ex-mulher outras duas vezes. Na primeira, quando a levou para Santos (SP), Cristina chegou a ameaçar entregar os três filhos do casal — de 5, 7 e 9 anos — ao Conselho Tutelar caso ele não a soltasse.
Segundo Regina, André quase não trabalhava, pois se dedicava a perseguir sua irmã. Os camelôs Paulo Roberto Prado, 33, e Carlos Alberto Silva, 44, confirmaram que há um mês não o viam. André trabalhava com bichinhos de pelúcia.
André divide cela com quatro acusados de crimes leves na 52ª DP (Nova Iguaçu). Seus irmãos Rosimary Maria da Costa Silva, 46, e Carlos Eduardo Silva, 28, não conseguiram visitá-lo na delegacia. Rosimary contou que encontrou Cristina logo após o seqüestro do ônibus e que ela teria perdoado o ex-marido.