Helvio Lessa
Na véspera do Natal do ano passado, o professor de Inglês, Murilo Fagundes Coutinho, morador de Xerém, em Duque de Caxias, então com 32 anos, estava na sala de cirurgia de um hospital em Bangcoc, na Tailândia, onde ficou por 12 horas. Menos de um ano depois, ele se recuperou da operação, iniciou um processo de alteração da documentação e hoje já assina legalmente como Faiza Khalida. A mudança de nome foi um dos marcos na nova vida do professor, que está em processo para virar professora na Secretaria de Educação de Belford Roxo, de onde é funcionário.
A mudança de sexo fez parte de um processo que começou há três anos, quando iniciou o tratamento à base de hormônios. “Nasci mulher em corpo de homem”, resume Faiza, que não gosta de pronunciar o antigo nome e se recusa a mostrar fotografias de quando tinha postura masculina. “Me dá depressão. Não consigo falar”, justificou o transexual, que faz acompanhamento com psicólogos.
Faiza não passou por grandes constrangimentos, como de outros transexuais famosos, caso de Roberta Close, que demorou para ter legalmente a nova identidade. Ela conseguiu em julho que a Justiça deferisse o pedido de mudança e no dia 12 de setembro recebeu a nova Certidão de Nascimento, três dias antes de completar 33 anos. “Foi presente de aniversário”, diz.
Faiza também tem carteira de habilitação, protocolos para retirada de nova carteira de identidade e CPF. Falta só conseguir mudar o nome no diário de classe da Escola Municipal Jorge Ayres de Lima. “Está tudo adiantado, com apoio até da Procuradoria do município. A demora é por questões burocráticas. Todos me tratam com respeito”, diz.