Helvio Lessa
O apoio da família e dos amigos foi fundamental para que a professora de Inglês, Faiza Khalida Fagundes Coutinho, 33 anos, moradora de Xerém, Duque de Caxias, conseguisse enfrentar as dificuldades da transição quando resolveu fazer cirurgia para deixar de ser homem e virar mulher. Desde julho deixou de se chamar Murilo por decisão judicial. “Procurei não magoar minha família e as pessoas perto de mim. Assim que comecei a usar hormônios há três anos, contei para minha mãe e minha irmã”, conta.
A dona-de-casa Gecy Fagundes Coutinho, 73 anos, diz que ficou surpresa com a revelação, mas que desconfiou quando o filho tirou a barba a laser. “Aí eu falei: estou com você até o pé da cruz”, contou Gecy. O único deslize é com o nome. “De vez em quando troco, ainda não me acostumei”, justifica.
A comprensão e o carinho são iguais na Escola Municipal Jorge Ayres de Lima, em Belford Roxo, onde dá aula para mais de 400 alunos. “Todos eles me tratam bem”, garante Faiza. “Ela é uma professora muito especial”, conta Priscila Silva, 14 anos, aluna da 7ª série. “Sempre será querida entre nós”, acrescenta a comerciante Iracema Silva Alvarenga, 43 anos, mãe de Priscila, que se tornou amiga de Faiza.
Entre os professores, o respeito também é grande. “Uma excelente amiga. Sempre conversou sobre a vontade de fazer a cirurgia”, conta a coordenadora Cássia Conceição, 38. O diretor José Carlos Neto, 43, diz que está se esforçando para que o nome de Faiza também mude no diário da escola. “Aqui ela é tratada como mulher”, diz.
A secretária de Educação de Belford Roxo, Maise Rangel Suhett, disse que a Procuradoria do município está se empenhando para a fazer a troca de nome na ficha funcional. Faiza já conseguiu documentos como Certidão de Nascimento, Carteira de Habilitação e os protocolos do CPF e da identidade.